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CBF em movimento, ligas em parafuso
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Coordenador do Esportes O POVO. Jornalista curioso sobre os bastidores do mundo da bola e apaixonado pelo jogo nas quatro linhas

CBF em movimento, ligas em parafuso

Libra e FFU servem aos clubes apenas para questões comerciais, enquanto CBF avança em calendário, arbitragem e fair play financeiro
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Presidente Samir Xaud em Assembleia Geral Eleitoral na sede da CBF (Foto: RAFAEL RIBEIRO/CBF)
Foto: RAFAEL RIBEIRO/CBF Presidente Samir Xaud em Assembleia Geral Eleitoral na sede da CBF

As pautas que por muitos anos foram apontadas como soluções para todos os problemas do futebol brasileiro enfim saíram do campo hipotético e passaram para a prática. A mudança profunda no calendário, a profissionalização da arbitragem e o fair play financeiro saíram do papel e já estão em curso ou prontos para serem executados a partir do próximo ano.

A tomar pelo histórico de gestões da CBF e pelo discurso inovador das duas ligas criadas pelos clubes, era de se imaginar que as decisões teriam partido de forma conjunta entre Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e Futebol Forte União (FFU). Mas foi a entidade máxima do futebol nacional que deu três passos à frente em busca de melhorias.

Se fosse uma pessoa, a CBF seria aquele conhecido em quem você confia desconfiando. Mas Samir Xaud, eleito em maio de 2025, com apoio majoritário das federações estaduais, já se credencia como um dos melhores presidentes da história pelas medidas em prol do futebol brasileiro. Não se envolver em escândalo de corrupção ou assédio já o deixaria em posição bastante confortável para assumir o topo da lista — ganhar uma Copa também ajudaria.

Fato é que esta nova CBF, que também distribuiu cargos políticos, tem adotado critérios técnicos visando o produto. Com complicações no calendário devido às Copas masculina (2026) e feminina (2027), a Série A teve início antecipado para janeiro, os Estaduais foram reduzidos, a Copa do Brasil ganhou mais clubes, mas adotou jogo único em algumas fases...

A arbitragem é sempre outra reclamação recorrente, além do altíssimo número de jogos no Brasil. E a profissionalização dos homens do apito, com foco exclusivo e toda a assistência possível, era indicada como saída ideal, exemplo do que acontece na Inglaterra. Agora é assim também por aqui, inicialmente apenas na Série A.

Os gastos desenfreados de clubes endividados e os "calotes" também causaram incômodo nos anos mais recentes. O fair play inibirá isso, a partir do próximo ano, de forma gradativa.

E as ligas? Os clubes não conseguiram um consenso nem mesmo para formar um grupo único, e a cisão acabou gerando dois blocos econômicos, que discutem apenas questões comerciais e venda de direitos de transmissão. Calendário, arbitragem, fair play... Estas pautas nunca conseguiram avançar entre os dirigentes dos times.

Já houve casos de equipes que pularam de uma liga para outra — e alguns já com este movimento programado — meramente pela questão financeira. Os clubes da Série B deste ano chegaram a reclamar do tratamento da FFU. Enquanto isso, a CBF faz movimentos para avançar e pode acabar implodindo os blocos, já que as melhorias para o produto têm partido dela.

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