Alan Neto
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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

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Opinião

Flamengo sobreviveu ao Brasileirão, cheio de armadilha e portas de travessa

O capitão do Flamengo, Diego, segura o troféu ao comemorar com os companheiros após a conquista do campeonato brasileiro
O capitão do Flamengo, Diego, segura o troféu ao comemorar com os companheiros após a conquista do campeonato brasileiro

.CHEGOU ao fim o Brasileirão mais inusitado, pra não dizer histriônico, dos últimos anos. Talvez não haja igual nas próximas décadas.

.FICOU com o Flamengo no título, apesar de ter sido derrotado perdido pelo fraco time do São Paulo, que foi ao Morumbi como livre atirador. Ou seja - se não tinha mais nada a ganhar, perder, tanto fazia como não. Venceu para surpresa geral, primeiro porque que foi melhor que o poderoso time do Flamengo, segundo porque a garotada do tricolor paulista não temeu as cores rubro-negras.

.FINAL do jogo, mesmo com placar já definido pela vitória do São Paulo, o Flamengo passou por maus momentos, envolto pela expectativa de que, no Beira-Rio, o Internacional fizesse um gol pra acabar com a sua festa. Não fez.

.POR acaso se desse Internacional teria sido injusto? Não. O Colorado fez por onde chegar onde chegou, só que uma pitada de sorte não faz mal a ninguém. Especialmente ao técnico Ceni que jogava ali a maior cartada de sua vida contanto se afirmasse como treinador. Deve ter rezado todas os credos do mundo e pago as todas as promessas que andou fazendo.

SALADA DE JILÓ

.PARA os que não acreditam em superstição, recomenda-se trocarem a fita. Uma delas reza que Ceni, como técnico, bem entendido, nunca ganhou no Morumbi, Podia ser naquela noite. Não foi.

.RESULTADO. Ficou uma conquista um tanto insípida, seria diferente se tivesse vencido. Comemoração cujo prato principal teve sabor de salada de jiló, sem gosto, sem graça, apesar do esforço de todos para disfarçar.

.MENGÃO não teve culpa de depender do resultado do Internacional, muito menos da agonia vivenciada nos últimos sete minutos dos acréscimos. Quem mandou não fazer sua obrigação e vencer a garotada do São Paulo? A soberba tem dessas, prega peças inesperadas.

. FUTEBOL é recheado de portas de travessa. Numa delas poderá estar embutida uma armadilha, ou quase, como foi o caso da conquista do Flamengo. Ficou no ar a falta do brilho maior, por acaso tivesse vencido. Aí sim, a festa seria completa. Faltou, enfim, aquele algo mais, que o vulgo conhece como ponta de frustração.

.NÃO será por conta disso que a conquista do Flamengo ficará tisnada. O que vale, enfim, é o que o está escrito no regulamento. Cumpra-se, pois.

SONHO SONHADO

.DISPUTAR a Libertadores, sonho acalentado pelo Ceará, ficou apenas na vontade e no esforço. Dois pontos, apenas, separaram a conquista, que acabou no colo do Santos. Alvinegro notabilizou-se neste Brasileirão que se foi, sem deixar a menor saudade, em detonar tabus.

.ÚLTIMO dos quais: não vencia o Botafogo aqui havia 46 anos. Jura? Antes deste tabu tinha explodido mais dois, ao vencer o Coritiba no Paraná e Goiás em Goiânia. Os bons ventos tangeram favoravelmente o Ceará nesta Série A.

ÚLTIMO PAU DE ARARA

.FORTALEZA salvou-se no Brasileirão mesmo e apesar da derrota, pegando a última vaga do pau de arara. Uma campanha sem brilho, opaca, cheia de erros sucessivos. Entrou, é o que importa, mas ficou a nódoa que sua torcia terá que engolir.

.SE entrou, levante as mãos para os céus e aqui no terreiro do Brasileirão, ao Corinthians, responsável direto pela queda do Vasco. Além de perder para o Flu, o que já era esperado, Tricolor ficou entalado com a vitória do Vasco. Menos mal que a diferença não foi por 10 gols, caso contrário seria catastrófico.

MÃE DO ANO

.CBF pode ser escolhida com todos os méritos, a mãe do ano. Casa da Moeda, na frente dela, é fichinha. Pois não é que premiou todos, exceção dos quatro rebaixados?

.PEQUENO exemplo. De R$ 33 milhões para o campeão, chegou aos R$ 11 milhões que entraram nos cofres do Fortaleza, o último a se salvar.

.ÚLTIMA vaga da Sul-Americana direta para o Bahia, que venceu seus dois últimos jogos. Este é o seu segundo ano consecutivo. A Sul-Americana não é esses balaios, mas rende boa nota, especialmente este ano, quando deram uma mexida na fórmula de disputa.

CARA PRA LUA

.CEARÁ, que também entrou, não tem do que reclamar. Colocou 11 pontos na frente do rival Fortaleza, faturou R$ 15,5 milhões. Robinson de Castro este ano nasceu com a cara virada pra lua.

FILA DO SINE

.NUNCA, jamais, se demitiu tanto técnico quanto nesta Séria A. Apenas três findaram com os que iniciaram: Ceará, Atlético-MG e Grêmio. Recordista no senta-levanta, Botafogo, quatro vezes e Coritiba, três. Onde os dois foram parar? Na zona do inferno.

 

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