Alan Neto
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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

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Opinião

Copa do Nordeste: fórmula cansou

IMAGINAR que a Copa do Nordeste chega à sua edição número 17, trata-se de um longo e inútil caminho percorrido. Nas primeiras edições nem tanto, por ser uma novidade lançada pelos clubes da Região, cujo principal objetivo era pisar nos calos da poderosa CBF, para saber até onde ela podia vetar a realização do torneio.

PARA se respaldar juridicamente — se é que cabe o termo — criou-se então a tal Liga do Nordeste, aparentemente pirata, com apoio de todos os clubes da Região. A CBF preferiu não comprar a briga pra evitar divisões e uma batalha que acabaria sendo inútil, mal comparada a de Davi e Golias.

POEIRA DO TEMPO

SABE como é, duelo entre os mais poderosos e os menos, a opinião pública fica ao lado do mais fraco. Engoliu, sim, mas com algumas restrições que não vale enumerar, pois 17 anos depois a poeira do tempo devorou tudo.

CBF torceu contra. Perdeu esta queda de braço. Bem feito. A Liga tonificou-se, o Nordestão acabou virando atração, por ser uma competição diferenciada, cujo objetivo era gerar rivalidade maior entre os clubes do Nordeste.

INTENÇÃO, teoricamente, era válida, até determinado tempo, quando a fórmula de disputa cansou, exauriu-se de tanto ser repetida. Tentaram modificá-la, mais recentemente, separando-a em grupos. A motivação esvaiu-se pelo emaranhado de jogos, deixando o torcedor por vezes às tontas, sem saber separar o joio do trigo.

TIVERAM até mesmo o cuidado de que os grandes rivais não se acoplassem num mesmo grupo, para que a graça não fosse perdida. Mesmo assim não evitou que se enfrentassem. Não demora muito, algumas semanas a mais, e o nosso tradicional clássico, Ceará x Fortaleza, será posto em confronto direto.

CAIXA DE MARIMBONDOS

PELO menos uns 30 anos atrás, Clóvis Dias, então presidente do Ferroviário, numa reunião entre os integrantes da Liga do Nordeste, aventurou-se a lançar uma ideia mais ousada, porém válida pelo ineditismo nela embutida.

EXPÔS seu ponto de vista. Os Campeonatos Estaduais fossem extintos e em seu lugar fosse realizado um grande Campeonato do Nordeste, escolhendo-se os três melhores de cada Estado. Clóvis mexeu em caixa de marimbondos. Os presidentes das federações presentes por pouco não devoram a sua jugular.

CLÓVIS estava certo, 30 anos atrás e a cartolagem das entidades atrasados no mesmo número de tempo. A realidade de hoje demonstra o que ele já previa, ou seja, o esvaziamento das competições estaduais e de roldão estão levando a já mofada e ultrapassada Copa do Nordeste. Perderam o trem da história e o futebol da Região nunca mais saiu da sua marcha, aquela mesma, dos dois pezinhos pra frente e dois pra trás.

PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO

AINDA há tempo de se redimir? Se os interesses forem os mesmos, tem tempo sim. Infelizmente preferem continuar a repetir o mesmo modelo que a cada ano se repete, e a CBF a tudo assistindo de camarote. Como prêmio de consolação, resolveu abrir vaga na terceira fase da Copa do Brasil, aquela mesmo, onde todo bicho de orelha entra, para o campeão do Nordestão.

QUANDO interesses escusos e políticos entram em cena, inventam-se mil e uma lorotas para enganar os trouxas. Pior é que acabam enganando mesmo, como se esta Copa do Nordeste fosse a melhor competição do mundo, depois do Brasileirão. Se me fiz entender. Tem cartola que se faz de cego...

PURGANTE

JOGO de estreia do Ceará, diante do ABC, pela Copa do Nordeste, foi um purgante. Alvinegro aproveitou o vácuo do Brasileirão pra colocar em ação alguns jogadores que lá estavam na base do come e dorme.

EMPATE (1 a 1) premiou a ruindade da dupla e ao inexistentes futebol que apresentaram. Do ABC não se esperava mais
do que aquilo e do Ceará, algo mais, por ter um elenco mais bem encorpado.

SE serviu para que Guto Ferreira tirasse algumas conclusões, aquela de insistir com Wescley abarrotou todas as medidas da paciência. Jogo em que o Vizeu foi o craque por aí se tira o resto.

PROVA DOS NOVE

SE é que o Fortaleza mudou alguma coisa, daquele time que se salvou no último pau de arara pra não ser rebaixado do Brasileirão, para aquele que estreará hoje no Nordestão, dentro do Castelão, diante do CRB de Maceió, é quase impossível.

A NÃO ser que por um desses milagres do futebol tenha mudado tudo. Mas como se o técnico perdedor continua o mesmo e os reforços contratados sejam superiores aos que lá estavam?

TRICOLOR, a exemplo da Copa do Nordeste, enferrujou-se e ficou mofado. Ou se renova ou estará perdido e mal pago. Renovação, no caso em questão, em todos os setores, a partir da diretoria. Detalhe — as viuvinhas do Ceni continuam indóceis...

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