Alan Neto
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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

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Opinião

De cara, Ceará se fez anfitrião para vencer o CSA com facilidade

Mendoza e Vizeu marcaram os gols da vitória do Ceará diante do CSA
Mendoza e Vizeu marcaram os gols da vitória do Ceará diante do CSA

- NEM as paredes, confesso. Preleção, ainda no hotel 5 estrelas da Beira-Mar, que se tornou talismã do Ceará, pois é lá que o time se concentra, o técnico Guto Ferreira, ao anunciar a escalação aos jogadores, não foi prolixo como é do seu feitio. Em poucas palavras revelou como queria ver o Ceará jogar contra o CSA.

- "VAMOS entrar marcando alto, deixando o adversário acuado, sem respirar, dentro do seu próprio campo, atuando em velocidade pelas extremas explorando o Mendoza, com a meia-cancha apertando o cerco em apoio aos atacantes".

- CURTO e fino, o técnico alvinegro não descobriu a pólvora, nem a mirra. A vantagem de atuar em casa revela sempre este retrato falado. Cabe ao anfitrião dar as cartas, mostrar que em seu terreiro quem manda é ele e quem canta de galo também.

- TORNOU-SE praxe que os primeiros 20 minutos podem definir o destino de uma partida de futebol. Ou não. Com as rédeas do jogo na mão, ajudado pelo fator psicológico, a pressão vem na esteira de tudo isso. Se conseguir aproveitar as chances que vão surgindo, fica mais próximo da vitória. Se deixar passar este tempo e o adversário começar a respirar aliviado, o figurino pode trocar de mãos.

- GOL de Mendoza aumentou ainda mais a pressão alvinegra, eclipsou o CSA por algum tempo, o suficiente para o Ceará começar a asfaltar o caminho da vitória, só sacramentada no segundo tempo, através de Vizeu. Meio gol, porém, foi do colombiano, dono da bola, dono do jogo.

COMO UMA LUVA

- VINDA de Mendoza, embora as fichas fossem apostadas no outro colombiano, Gonzalez, caiu como uma luva. Não demora, ele vai virar xodó da torcida alvinegra.

- MENOS por ser um craque, pois tem suas limitações, sim, por se tratar de um ponta autêntico, velocista, como Guto sempre quis. Ano passado bem que ele experimentou mas não encontrou o nome ideal.

CAMINHO DAS PEDRAS

- CHEGADO a uma cautela, cartilha que ele sempre adotou por onde passou, Guto é da mesma escola do técnico Tite. Não adianta jogar bonito pra plateia e não vencer. Adotou o lema ditado pela própria vida — o apressado come cru. O cauteloso é mais fácil encontrar o caminho das pedras.

- FOI lendo esse script que o Ceará fez toda a travessia do Brasileirão ano passado, sem sofrer muitos abalos sísmicos.

- BEM verdade que, por alguns momentos sofreu pequenos acidentes de percurso, menos porque alterasse sua forma de ser, muito mais pelo poderio dos adversários do andar de cima, aqueles que são sempre candidatos ao título do Brasileirão. Onde se colocou o Ceará na competição? Dentro daquilo que se esperava. Podia ter chegado um pouco mais acima, pré-Libertadores por exemplo. Não conseguiu mas a Sul-Americana lhe ficou de bom tamanho.

- ESTA mesma lição não foi aprendida pelo rival Fortaleza, menos porque não quisesse, mais pelos efeitos danosos da fuga do técnico Ceni que, em plena competição trocou o Tricolor pelo Flamengo.

- AQUI pra nós. Quem, em seu lugar, ambicioso que Ceni sempre foi, não faria o mesmo? Só que em seu caso, ao invés de sair pela porta da frente, optou por sair pelos fundos. O baque foi tão grande que o Fortaleza salvou-se do rebaixamento, porque o Vasco deu seu quinhão de colaboração, comboiado por uma campanha calamitosa.

NÚMEROS IMPLACÁVEIS

- COMO números são implacáveis, Ceará sempre levou vantagem sobre o CSA nas estatísticas, espécie de freguês.

- AJUDADO pela boa campanha que vem realizando no Nordestão, tantos jogos sem perder, do time alagoano se esperava muito mais. Não decepcionou, mas também não brilhou, ofuscado pela boa atuação do Ceará.

- MAL comparando, e com o devido respeito, o CSA é um time bonitinho, bem delineado em suas linhas, mas falta-lhe aquilo que se chama poder de fogo. Pode até ameaçar cruzar a linha de chegada, mas começa a tremer só em vê-la se aproximar.

PROCURA-SE

- COM uma lupa, tamanho gigante, procura-se aquela bola redonda do Vina do ano passado. Traçando um paralelo com o da edição deste ano, está muito aquém.

- DUAS, uma. Ou já são os efeitos do contrato nababesco que nunca sonhou fazer, garantindo-lhe dois anos de bolada apetitosa em seu contracheque mensal. Ou, por outra, está jogando com as chuteiras erradas.

- RENOVAÇÃO de contrato em bases quase três vezes maiores sempre será uma faca de dois gumes. Por enquanto, o Vina tão precioso da jornada passada não passa de um fantasma ambulante, zanzando dentro de campo.

- ESTA cena lhe foi roubada pelo colombiano Mendoza, aquele que joga o tempo todo sorrindo. Também não se sabe por quê.

 

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