Alan Neto
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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

Alan Neto
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Opinião

Ceará ficou na vontade que consola

Ceará tinha certeza que o Bahia tremeria na hora da decisão e perderia o jogo
FORTALEZA, CE, BRASIL, 08.05.2021: Briga no fim da partida. Ceara x Bahia. Final da Copa do Nordeste na Arena Castelao. em epoca de COVID-19. (Foto: Aurelio Alves/ Jornal O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 08.05.2021: Briga no fim da partida. Ceara x Bahia. Final da Copa do Nordeste na Arena Castelao. em epoca de COVID-19. (Foto: Aurelio Alves/ Jornal O POVO)

- - CEARÁ tinha certeza que, jogando por todos os empates do mundo, seria tricampeão da Copa do Nordeste. Ficou na vontade que consola. Ceará tinha certeza que o Bahia tremeria na hora da decisão e perderia o jogo. Ficou na vontade que consola. Ceará imaginou que, jogando precavido, que nada mais é do que uma retranca metida a besta, levando o Bahia ao desespero, meteria a cobiçada faixa de tricampeão. Ficou na vontade que também consola.

- DECISÃO para os pênaltis, o Ceará deve ter imaginado que precisamente ali, liquidaria a parada a seu favor. Ficou na vontade que também consola. Deve ter passado pela cabeça do treinador Guto que, com o Bahia largando-se todo para atacar abriria brecha para que o Ceará, em jogadas de contra-ataque, liquidasse a decisão. Ficou na vontade que também consola. O Ceará sonhou jogar nos erros do Bahia, ou naquela de uma bola perdida. Teve, isto sim, terríveis pesadelos. Pensou errado e ficou na vontade que também consola.

- CEARÁ imaginou que sua longa invencibilidade da Copa do Nordeste não seria quebrada naquela decisão pois tinha tudo a seu favor. Erro e errou feio. Ficou na vontade que também consola. Não bastasse todos esses erros ainda caiu na provocação de uma briga campal, gerando um espetáculo deprimente para quem era o anfitrião da decisão do Nordestão. Como se aquilo revertesse o resultado. Ficou na vontade que também consola.

TIROS PELA CULATRA

- TEORIA e prática são duas coisas que não combinam no futebol. Vamos aos exemplos? Com a faca e o queijo na mão para tornar-se tricampeão da Copa do Nordeste o Alvinegro acabou botando tudo a perder. Nas duas coisas. Na teoria, porque imaginou uma coisa e foi outra. Na prática, porque o tricolor baiano acabou ganhando nos 90 minutos e na decisão por pênaltis. Os tiros do técnico Guto Ferreira saíram todos pela culatra.

- PRIMEIRO, porque se preocupou muito mais em defender do que atacar, talvez seu erro mais fatal. Não propôs jogo ofensivo coisa nenhuma. Mandou a campo um time acuado, medroso, pusilânime, de quem estava mesmo pedindo pra perder. Foi prontamente atendido.

- TOTALMENTE o oposto do que fez o Bahia. Ele sabia que só a vitória interessava, foi em busca dela desde o momento em que a bola rolou, preenchendo todos os espaços do campo, sufocando o Alvinegro com contra-ataque arrasadores, comandados pelo trio Rossi, Gilberto e Rodriguinho este, então, dono do jogo e dono da bola. O lançamento que fez para Gilberto mandar às redes, foi simplesmente magistral, deixando a defesa do Ceará totalmente atarantada como se estivessem vendo estrelinhas.

- JOGADOR que faz a diferença é precisamente aquele que desequilibra. Guto Ferreira sabia disso ou então nunca tinha enfrentado o Bahia. Sabia que estava na obrigação de ter cuidados especiais com Rodriguinho. Como assim? Escalando um homem para seguir seus passos, colado feito esparadrapo de hospital. Ao contrário. O deixou livre e solto para, dentro de campo, deitar e rolar. Foi um tiro no pé e outro no ouvido.

QUE ESTRATÉGIA?

- O QUE o Ceará do Guto devia fazer não fez. Pressupondo que o Bahia jogaria ofensivamente, devolveria na mesma moeda. Ou seja - lançaria o Alvinegro também ofensivamente. Mas seria pedir demais ao Guto, deixar de lado sua cartilha de precavido. Aquela que ensina - primeiro pensar em não perder, para só depois pensar em vencer. Estrepou-se do primeiro ao quinto.

- BAHIA venceu no tempo regulamentar, apesar do Ceará ter empatado em gol de Jael de cabeça, imaginou que aquele seria o gol do tri, estrepou-se de novo. Continuou permitindo o Bahia propor o jogo ofensivo até chegar a vitória.

- A MAIS elementar lição do futebol ensina, aula digna de jardim-de-infância. Vale lembrar - está mais perto da vitória o time que atua ofensivamente, em busca do principal objetivo. Simples assim. Dado Cavalcante, neste quesito, deu um nó tático no experiente treinador alvinegro. Queria a vitória, lutou para tal, atacou em massa, venceu a partida duas vezes.

VARAS VERDES

- NAS penalidades deu pena ver os jogadores escalados pelo Ceará, tremendo feito varas verdes, no momento da cobrança fatal, como se fossem um bando de amadores decidindo no Castelão pela primeira vez. Se perdeu no tempo normal, nas penalidades, então, a derrota parecia estar escrita nas estrelas.

- BAHIA merecidamente campeão, vencendo duas vezes e o Ceará que tinha a faca e o queijo na mão, demorou demais a perceber que a faca estava cega e o queijo estava duro. Lamentável.

CALO NOS OLHOS

- UM dos mais tradicionais clássicos do futebol cearense, Fortaleza x Ferroviário, resolveu levar para o estádio do Caucaia. Nada contra o estádio, bonitinho e bem arrumado. Sim contra o que os dois tricolores apresentaram em campo. Um futebol de péssima qualidade, de dar calo nos olhos. Nunca se viu tanta ruindade junta numa partida de futebol.

 

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