Alan Neto
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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

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Opinião

Fortaleza x Ceará: sempre eles

É o primeiro jogo na história entre os dois clubes na Copa do Brasil e vale uma ótima grana com a classificação para a próxima fase
Fortaleza e Ceará voltam a se encontrar pela quarta vez na temporada em duelo decisivo na Copa do Brasil
Fortaleza e Ceará voltam a se encontrar pela quarta vez na temporada em duelo decisivo na Copa do Brasil

- PERDERAM-SE as contas de quantos clássicos Ceará x Fortaleza aconteceram ao longo do tempo. Tudo demais é veneno. Até clássico maior cara-pálida? Sim. Pelo simples fato de vulgarizarem nossa melhor mercadoria. No que vulgarizou, perde a graça.

- ESTE de hoje traz em seu bojo uma diferença. Qual? É o primeiro na história dos dois clubes, cada qual já passaram dos 100 anos, em disputa de uma Copa do Brasil.

- OK, ok, muda-se o rótulo, mas os personagens são os mesmos. Fato de ser decisão de Nordestão, Estadual e agora Copa Brasil não desfaz a imagem de jogos seguidos.

- QUE novidade poderão trazer para o jogo de hoje que está valendo uma boa grana para o vencedor? Nenhuma ou quase nenhuma. Aliás, o mistério imposto pelos técnicos quanto a formação das equipes é outra monumental bobagem.

CARAS OPOSTAS

- CEARÁ, sabe-se como joga o tradicional manjadinho do Guto, já que ele nunca foi de se arriscar, com troca de duas peças aqui e ali. Se não muda a o modelo de jogar, não muda a cara do time, isto é elementar.

- FORTALEZA, o argentino Juan Pablo, a cada jogo muda a formação da equipe e sistema tático também que - podem crer - mil entre mil torcedores do Tricolor dificilmente acertarão a formação do time. Onde quer chegar? Sabe-se lá.

- SÓ se sabe que, naquele time, tem lugar garantido para o Pikachu autor dos dois golaços contra o Atlético Mineiro que, por si só, foram dois selos de qualidade para um lugar fixo na equipe. Nas demais posições pode embaralhar a vontade.

- ENQUANTO isso, no Ceará, se Guto, com aquela eterna carranca, não fixar Jorginho e Rick como titulares estará cometendo pecado mortal. No lugar de quem? Problema dele. Pode ser até barrar o Vina, que não está jogando nada, ou no Lima, com sua eterna preguiça.

DIA ESPECIAL

- DATA de hoje, aliás, é especial na história do Ceará, pois completa 107 anos de existência, uma história longa e sem fim de glória e tradição. Contá-la só em álbum ou num livro especial. Alguns já contaram, mas há sempre deslizes. Ninguém é perfeito. Nem a própria história.

- INCRÍVEL que pareça, vai um detalhe especial. Este será o décimo clássico, do ano passado pra cá, quando se instalou a pandemia, sem público. E quando então o torcedor voltará ao estádio? Quando a pandemia passar, ora, ora. Quando vai passar, botem de 22 pra lá, que Deus não assine embaixo tal profecia.

- NESSES dez clássicos há ligeira vantagem do Fortaleza, nada, porém que não possa ser alcançado, tamanho o equilíbrio das duas camisas, frase cravada 40 anos atrás pelo gênio Moésio Gomes.

- ESTATÍSTICAS, porém, comprovam que, ao longo da história, registaram-se mais empates que vitórias ou derrotas para os dois lados. Ou se há diferenças, são mínimas.

CLÁSSICO É CLÁSSICO

- TIME por time, melhor não arriscar, como manda a própria história. Aquele velho e desbotado bordão do clássico é clássico, assim como gato é um bicho.

- NÃO esperem grande jogo, como recomenda a tradição, mas pelas cinco chagas que não venha, nem de longe, transformar numa pelada daquelas, um com medo de atacar o outro, e a bola rolando quadrada.

- ÁRBITRO virá de fora, precisamente Rio, com o escudo da Fifa, mas não haverá VAR, que a CBF preferiu não bancar. Se os clubes quisessem seria por conta deles.

NOVA REPRISE

- NÃO fica só neste clássico. Pra completar a obra, dentro de uma semana os dois voltarão a se enfrentar, conta e risco do regulamento da Copa do Brasil. O de hoje servirá mais como um "trailer" para o próximo, este pra valer. Precisava de tantos assim?

EFEITOS COLATERAIS

- CONSTA que após a desclassificação da Sul-Americana, dois dias depois, o presidente Robinson de Castro deu um rala-esfrega no elenco, quando da reapresentação.

- NÃO só pela derrota para o pior time da competição, e fona também, o Wilstermann, quanto pelo dinheiro - 500 mil dólares - que o Ceará deixou de ganhar se tem alçado a outra fase.

- TERMINADO o sermão, o presidente alterou o tom de voz -"Quem quiser deixar o clube é só passar na tesouraria, ninguém aqui é imprescindível".

- NINGUÉM pediu as contas. Quem seria tolo com Brasileirão na porta? Tinha clube interessado neles? Nenhum. No outro dia, talvez com dor na consciência, Robinson de Castro, mandou depositar o salário de maio, antes do fim do mês.

- AÍ os jogadores adoraram. Levaram o carão e dia seguinte tinham dinheiro na conta. Pode ter coisa melhor? Um esfrega desses já vale a pena.

 

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