Alan Neto
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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

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Opinião

O Clássico-Rei da Copa do Brasil, antes da bola rolar

David protege a bola da marcação de Fernando Sobral
David protege a bola da marcação de Fernando Sobral

.ENQUANTO a bola esteve rolando, ontem à noite, neste maldito horário de 21h30min, rondando meia-noite, a história não para de contar fatos que ficaram e ficarão registrados para a sempre no nosso clássico maior. Pode-se até mudar o enxame de personagens que neles figuraram. Só não se pode é mudar o rumo da história. Esta é para sempre.

.DE onde vem, por exemplo, o codinome de Clássico-Rei, que pegou em cheio? Há controvérsias. Alguns historiadores cravam ter sido o grande José Raymundo Costa, meu pai no jornalismo, numa daquelas tiradas geniais. Há os que contestam, acreditando ter sido outro monstro da imprensa, Blanchard Girão. Não deve ter sido. Blanchard foi o autor do célebre slogan "Aquelas Camisas" referindo-se ao seu Tricolor de coração.

.ASSIM como há quem aposte ter vertido da mente privilegiada, sempre borbulhante, de Silvio Carlos. Também não foi. Silvio gerou um outro slogan genial - "Clube da Garotada", com aprovo do parceiro seu Costa.

.FOI então que apelei para os alfarrábios de Miguel Júnior que, mesmo se embrenhando nas empoeiradas páginas do seu acervo, não encontrou. Talvez tivesse achado, se catado o Sérgio Ponte Neto, o jovem nerd de Maranguape, que tanto respaldo me deu na Sul-Americana.

.VASCULHA aqui, mergulha ali, Miguel Júnior descobriu uma manchete histórica no O POVO, pelos idos de 1962, denominando-o de "Choque-Rei", passando-se depois para o hoje já tão badalado "Clássico-Rei".

. QUEM era o editor de então da página esportiva — Blanchard? Antônio Pontes Tavares (que me trouxe pra escrever no O POVO)? Flávio Ponte? José Raymundo Costa? J.C. Alencar Araripe? Me perco nas emboscadas e abismos da própria história. Logo eu, o menos indicado, por conta desta minha memória recheada de buracos, trêfega e trôpega?

QUANTAS VEZES?

. CONTUDO, há outros fatos históricos que merecem registros. Por exemplo? clássico de ontem a noite decidiu pela primeira vez a permanência de um deles, na Copa do Brasil, com direito a aumento de cota para a próxima fase, já aí com os tais potinhos, besteirol inventado pela imoral CBF, antro de assédios atualmente.

. SOMANDO-SE com o de ontem a noite, lá se vão 506, Fortaleza x Ceará, desde os primórdios, evidente. Qual o mais emocionante deles? Todos. Como requer a tradição, envolvendo emoções, polêmicas, brigas, peladas monumentais, tudo isso cabe neste caldeirão borbulhante.

O CARIMBO

.OCORRERAM goleadas históricas, sim. Tanto de um lado, quanto do outro. Gols inesquecíveis, como aqueles do Tiquinho, nunca de balançar as redes, aos 49 minutos do segundo tempo, na conquista do tetra do coração de ouro, Eulino Oliveira.

.OU quem pode esquecer o gol que tirou o pão do penta do Ceará, marcado por Cassiano, pelo Fortaleza, aos 47 minutos, gestão Renan Vieira. Este número 47 virou símbolo para sempre entre os tricolores, a ponto de o clube mandar fabricar milhares de camisas para que os torcedores jamais o esquecessem.

TEMPO FECHADO

. BRIGAS em decisão de títulos entre a dupla, perderam-se as contas. Mais recente delas, quase (ou mais) de uma década, as "cadeiras voadoras" que zanzaram no espaço do Castelão, atiradas pelas duas torcidas. Graças a Deus ninguém foi atingido, caso contrário teria morrido ali mesmo no gramado.

. TEMPOS mais idos, o famoso gol de Victor, aos 48 minutos, no PV de todos nós, até agora aos pandarecos, herança maldita do ex-prefeito que o atual, por não gostar de futebol, não moveu uma palha pra reconstruí-lo. Muito menos o atual secretário de Esportes, Osires Pontes, tem força para tal.

. ESTAVA perto do lance, quase na borda do gramado. Victor foi o encarregado da cobrança da entrada da área. Saiu um míssil de pé-esquerdo. Cícero foi na bola, até desviaria, não tivesse resvalado nas costas do zagueiro Renato, mudando a trajetória.

. DEPOIS daí o tempo fechou entre os jogadores, cujo alvo era o árbitro paraense, Camarinha, que apitou a melhor de três. Ao perceber o que iria acontecer, aproximou-se do túnel, encerrou o clássico, desceu as escadas correndo, livrou-se de ter apanhado. De lá mesmo, zarpou pra Belém.

. QUEM pagou o pato, sem ter nada a ver com o peixe, foi o bandeirinha Leandro Serpa, que acabou sendo levado para o hospital ensopado de sangue.

RETALHOS...

(1) - PLACAR mais registrado em todos os clássicos, não foi empate, sim, 1 a 0, para um lado ou para o outro...

(2) - ARTILHEIROS dos últimos clássicos. Wellington Paulista, 3 gols e — pasmem - pelo Ceará, zagueiro Klaus, com 2, prova de que cada atacante alvinegro é pior que o outro...

(3) - MAIORES duelos em todos os clássicos foram dois — Gildo x Sanatiel, o touro do Pici, e ponta Da Costa x lateral Louro...

(5) - ARGENTINO Juan Pablo completou 1 mês no Pici ontem, enquanto Guto Ferreira, mais de 1 ano no comando do Ceará...

 

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