Alan Neto
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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

Alan Neto
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Opinião

Copa América é um balaio de gatos

Qual a surpresa? Mas que jogo ruim, um (quase) purgante. Faltou pouco nesse Brasil x Venezuela
Brasil x Venezuela pela primeira rodada da Copa América 2021. Lucas Figueiredo/CBF
Brasil x Venezuela pela primeira rodada da Copa América 2021. Lucas Figueiredo/CBF

. PARA que serve mesmo a Copa América? Rejeitada por outros países por conta da pandemia que grassa no mundo, veio parar no Brasil por capricho, não do destino, sim da intervenção política, naquela do "quem manda aqui sou eu e será no Brasil. Decidido." Ou seja, a mistura de política com futebol, vira esta bagunça toda, ou se quiserem, pra ser mais direto, um balaio de gatos.

. REFLEXO de tudo isso respingou no Brasileirão que seguia seu curso normal, agora vai ter, obrigatoriamente, que mudar seu curso por conta de uma Copa inexpressiva, opaca, sem brilho. Brasil venceu (3x0) a Venezuela que sempre foi freguesa. Qual a surpresa? Mas que jogo ruim, um (quase) purgante. Faltou pouco.

. SELEÇÃO do Tite é a cara dele, burocrata, desengonçado, daquele tipo que está todo arrumado, acabou de sair do banho, cabelo gomalinado, pronto pra dar expediente numa repartição pública. Com o devido respeito ao servidor público, uma classe digna e honrada. Marajás à parte, claro.

. APROVEITANDO o embalo. Vencedor da Copa América ganha mesmo o que, se o foco principal é a Copa do Mundo, em dois anos? Com esta Seleção que aí está sem vida de um jogador só, é a repetição do fiasco da anterior. Sou patriota, sim, mas não sou fanático. Tenho outras prioridades no futebol, especialmente o nosso. É por Ceará e Fortaleza que volto meu radar. Quero vê-los bem na Série A. Coisas de barrista escancaradamente assumido.

REFLEXOS

. PIOR é ter que aguentar esta Copa América, durante 30 dias, com reflexos diretos no Brasileirão, cujo andamento sofre impactos em seu percurso, além de dividir as atenções do torcedor. Da telinha, bem entendido, porque o público continua ausente dos estádios vazios, transformados em gigantescos cemitérios. Esta pandemia é a maior praga dos últimos tempos.

.SE vacinem, usem máscaras, evitem aglomerações, este o brado retumbante a ressoar nos ouvidos de todos nós, por todos os meios de comunicação. Encheu até as tampas, mas não há outra saída, até que todos se convencem. Dos males o menor? Pode até ser, mas milhares de brasileiros continuam morrendo diariamente. Quando tudo isso vai parar? Nem a ciência tem resposta exata. Só Deus lá em cima.

FIO DA MEADA

. VOLTO ao fio da meada do nosso Brasileirão, tão querido, única competição que o torcedor leva a sério, apesar das incontáveis invencionices de Copas, Estaduais, Torneios, tudo sem graça, sem expressão. É do Brasileirão que o torcedor gosta. E eu também, não obstante a légua tirana e dos escândalos do Caboclo com aquela cara de santo do pau oco.

.POIS bem. Puxa daqui, empurra pra ali, aperta o cinto, altera horários, prejudica programações, atrasa jornais, há que se dar um jeito. O Brasil, enfim, não foi sempre famoso como "o país do jeitinho". Confirma-se na teoria, ratifica-se na prática.

NÓ GÓRDIO

.FORTALEZA foi obrigado a enfrentar o Sport Recife, aqui no Castelão as 20h30min de um domingo, assim como podia ter sido meia noite. e o Ceará, na distante Chapecó, foi tentar se reabilitar contra a Chapecoense. Este Brasileirão, com tantas mudanças de horários, é de dar nó górdio na cabeça de qualquer um. Ou mandá-lo direto pro asilo mais próximo.

. TRICOLOR se deu bem vencendo o Sport Recife (1x0) gol de pênalti numa bizarrice do zagueiro Maidena, quando o jogo já entrava em sua reta final. Wellington Paulista com saracoteio e tudo marcou o único gol do jogo decretando a vitória do Fortaleza. Ele tem uma forma singular de bater pênaltis, raramente perde.

. INTENÇÃO do Sport era a de não perder, arrancar um empate ou então vencer em algum contra-ataque. Mas como se nem chutar em direção ao gol de Felipe Alves, conseguiu? Quem joga pelo empate, pede pra perder. Teve o castigo merecido. Esta foi a terceira vitória consecutiva do Tricolor, 9 pontos preciosos, flanando no pódio do Brasileirão.

CALOS NOS OLHOS

.ENQUANTO o rival venceu aqui, no Castelão com dificuldade, mas logrou êxito, o Ceará largou-se pra Chapecó com intenção de não perder e lograr um empate que já seria de bom tamanho. Conseguiu um sôfrego 0x0 numa pelada daquelas de dar calos nos olhos.

.BOLA rolando em campo foi um martírio de dar dó com duas equipes ruins, sem inspiração, dentro de um futebol onde podia valer tudo, menos bola na redes. Chapecoense é ruim e o Ceará atravessa severas turbulências daquelas que parecem não irão passar nunca.

 

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