Alan Neto
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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

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Opinião

Ceará vira freguês do Bahia em pleno Castelão e crise ganha novo capítulo

Já o Fortaleza ficou no 0 a 0 em jogo ameno lá em Goiânia, com o Atlético-GO, e se mantém líder
Ceará entra em situação crítica, sem conseguir evoluir
Ceará entra em situação crítica, sem conseguir evoluir

- CEARÁ teve a grande chance de ir à forra com o Bahia, após ter perdido aqui, 40 dias atrás, a Copa do Nordeste. Não conseguiu. Por qual motivo? Primeiro, por ter perdido de 2 a 1, e ainda de virada. Depois, porque foi pior que o Bahia.

- APESAR do placar apertado, não foi difícil o Tricolor Baiano vencer, diante de um time inerte, como sempre, sem vibração, sem criatividade. Retrato fiel do Ceará sob o comando do Guto Ferreira. Não é de agora. Virou lugar comum.

- AO contrário do Ceará, o Bahia não mudou a sua forma de jogar, até porque esta formação é repetida sempre, o que facilita as coisas. Tem um artilheiro que faz gol de todo jeito. Gilberto nasceu com esta sina. Foram dele, pra não contrariar a lógica, os dois gols da vitória.

- TEM jogador que nasceu com a estrela na testa pra ser goleador. Gilberto é um desses. Assim como existem outros que se esforçam, se esbaforam em campo, não conseguem nada. Deste tipo existem as pencas no futebol brasileiro.

- NOVA derrota para o Bahia só fez aumentar a bolha de revolta entre os torcedores alvinegros, ao ver a equipe despencar, sem nada produzir em campo. O Tricolor Baiano jogou, como sempre fez, de forma ofensiva, buscando o gol, exatamente o que o Alvinegro não faz e não aprendeu a fazer.

- NÃO sabe fazer porque não tem material humano? Tem até de sobra. Não faz porque seu técnico teima na mesmice, no carimbo de sempre. Só a diretoria do Ceará finge não ver pra não dar o braço a torcer. A quem? Às críticas, aos torcedores. Ora, ora, façam-me cócegas.

ZERO À ESQUERDA

- ESPERAVA-SE, após aquela live ridícula, alguma coisa mudasse, a equipe sofresse uma transformação radical, o Vina voltasse a jogar bola e o treinador, enfim, mudasse seus conceitos. Os efeitos foram zero à esquerda.

- MANTEVE-SE a barração de Vina, talvez por mero castigo, com a entrada de Jorginho, um jogador comum que pouco ou nada acrescentou, jogando para os lados. E com Vina seria diferente? Se os brios dele tivessem sido mexidos, quem sabe.

- QUANDO entrou no segundo tempo, apenas preambulou em campo, tanto ou igual ao Jorginho. Para ele, toda aquele cena e nada foi a mesma coisa. Por represália? Quem sabe. Porque sua fase é mesmo péssima? Deve ser.

NAS CORDAS

- NÃO foi tão difícil assim o Bahia construir sua vitória diante de um adversário posto às cordas. Com a meia-cancha dominando e o ataque com três homens jogando em velocidade, o caminho encurtou. A defesa do Ceará que se virasse pra conter o ímpeto dos baianos.

- BEM que uma reação, naquele jogo de ontem, em dia atípico e horário idem, calharia bem, provocaria novo ânimo aos jogadores e alento à torcida alvinegra. A nova derrota só veio provar que o Alvinegro está precisando de mudanças radicais, inclusive no próprio elenco. Quanto ao técnico, já passou do tempo de ter pedido as contas. A diretoria está esperando o que para fazê-lo? Pra não dar o braço a torcer. Pior. A situação ficará cada vez pior.

- TENTAR responsabilizar apenas Vina pela má fase do Ceará beira a crueldade. Não é só ele que vem jogando mal. A rigor, todos. O que, por exemplo, faz o Lima em campo? O que esperar mais do que aquilo que o colombiano Mendoza faz? A defesa bate cabeça, a meia-cancha não cria absolutamente nada, uma fábrica de distribuir botinadas.

- AS mudanças, sempre as mesmas, em nada acrescentaram. O que poderia, por exemplo, o Marlon, jogador apenas limitado, mudar a feição de uma partida? Nada. Sem atacante de referência, sequer sabe em qual direção a bola vai ou para onde chutar.

- MOMENTO de mudar já passou do tempo regulamentar. Derrota para o Bahia aumentará o volume de protestos por todas as plataformas, inclusive a mais importante delas, que é o grito rouco do torcedor. Teimosia demais é pecado mortal.

ELES SE MERECEREM

- POUCO mais tarde, o Fortaleza foi a Goiânia enfrentar o Atlético-GO. De lá saiu sobraçando um empate (0 a 0). A intensidade da partida, resumiu-se nas jogadas da meia-cancha, jamais o caminho do gol.

- COMO nem sempre em futebol as coisas funcionam como se espera na prática, o Fortaleza deixou de lado o quesito intensidade, mais preocupado com o que o adversário queria oferecer.

- NAQUELA de um esperando pelo outro, esqueceram de que o caminho menos tortuoso pra chegar ao gol é atacar. O Tricolor o fez de forma acanhada. O Atlético-GO seguiu o mesmo mapa, como se o 0 a 0 já estivesse bom.

- A RIGOR ficou. Pois se um não mereceu vencer, o outro muito menos. Foram iguais em tudo. Nos defeitos, nas poucas qualidades, na rara obsessão pelo gol. A tão famosa intensidade do Fortaleza, pelo visto, ficou presa no apartamento do Juan Pablo, sem que soubesse onde deixou a chave...

 

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