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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

Alan Neto esportes

Ceará recorre de suspensões e acaba se dando mais mal ainda

Pataquada dos "brigões" Jael, Mendoza e Gabriel Dias rende gancho grande e prejuízo maior ainda para o Alvinegro. O clube vai punir os atletas?
Tipo Opinião
Confusão na final da Copa do Nordeste de 2021 gerou gancho aos jogadores envolvidos  (Foto: Aurelio Alves)
Foto: Aurelio Alves Confusão na final da Copa do Nordeste de 2021 gerou gancho aos jogadores envolvidos

- JULGAMENTO do recurso impetrado à época pelo Ceará, junto ao STJD, na tentativa de protelar o resultado final, naquela filigrana que todo advogado tem de empurrar o problema com a barriga, contando caia no esquecimento (?) da Corte, diante do amontado de processos. Pois bem. Ao enveredar por esta via, o Ceará entrou solenemente pelo cano.

- VOLTANDO ao tempo, para que as ideias fiquem alinhadas. Trata-se daquela confusão do jogo entre Ceará x Bahia, decisão do Nordestão, no qual, após a partida ter sido concluída — Bahia, campeão — o Castelão transformou-se em autêntico ringue de lutadores do MMA, onde tesouras voadoras cruzaram o espaço. Briga feia e ridícula.

- SE pensaram que ficaria por isso mesmo, enganaram-se. O Nordestão, apesar de ser patrocinada pela Liga do Nordeste, traz o timbre oficial da CBF, caso contrário seria uma competição pirata.

- POIS bem. Foi bater nos costados do STJD, por conta do relatório e súmula do árbitro, narrando os fatos, digamos assim, dantescos. Um bando de jogadores profissionais brigando por nada, provocado por um deles. Não vem ao caso saber o autor. Vem ao caso, sim, que vários deles se envolveram naquele corpo a corpo totalmente desnecessário e por (quase) nada. Sim, porque o Nordestão, a cada ano, se desidrata em termos de motivação.

COMÉDIA PASTELÃO

- QUEREM em simples exemplo? Lá se vai. O vencedor da Copa do Nordeste ganha mesmo o quê? Digamos que uma ninharia em dinheiro e uma taça batizada de "orelhuda", feia e de mau gosto. A taça tem o rumo das prateleiras que o tempo trata de enferrujar.

- ENTRE mortos e feridos, terminada a luta corporal, ninguém foi preso, embora devesse, principalmente os que provocaram aquele espetáculo ridículo, digno de comédia pastelão.

- PORÉM, se alguém pensou que passariam ilesos, enganou-se redondamente. O caso ganhou dimensão inesperada, foi bater nos costados do STJD. De lá, uma das câmeras deu a primeira lapada, punindo os atletas que foram mais focados pelas imagens. Detalhe: os dois protagonistas da tesoura voadora (Nino Paraíba e Mendoza) receberam maior punição.

EFEITO DOS EFEITOS

- CEARÁ resolveu, via departamento jurídico, recorrer ao efeito suspensivo até que a causa fosse julgada pelo Pleno. Se sonhasse com a rebordosa que viria por aí, teria colocado a viola no saco, os atletas cumpririam suas penas, hoje, estariam livres ou então perto de terminá-las.

- EFEITO suspensivo apenas protelou o problema para mais tarde, apostando no esquecimento ou quem sabe na redução de penas. Ontem, quando o caso voltou à cena no STJD, através do Pleno, o castigo foi muito maior.

- EXISTEM, pelo menos, dois jogadores do Ceará (Mendoza e Jael) que pegaram as maiores suspensões. Atravessarão o mês de agosto e só voltarão a ser úteis ao Ceará lá para setembro. Prejuízo total para o clube, que, no Brasileirão, arrasta-se de forma lenta, acumulando mais empates que vitórias.

- MENOS que os dois sejam craques, mas para a posição só existem eles, enquanto seus reservas ficam a desejar. Jael nunca acertou como atacante, apesar da longa experiência, enquanto o colombiano alterna boas e más atuações, notado muito mais pela velocidade do que que pelo bom futebol, que é limitado.

- AFORA eles, existe mais, caso do lateral Gabriel Dias, que o Fortaleza liberou para o Ceará, sabendo que seu futebol não passaria daquilo. Pode ser bom de briga, mas ruim de bola, tanto que o Buiú das bases, ainda nas fraldas, ganhou o lugar.

- RESUMO da ópera. A decisão do STJD não cabe recurso, logo, é para ser cumprida à risca. Se mal pergunto — e a diretoria vai cruzar os braços sem que puna em seus salários? Pois devia. O prejuízo das suas ausências poderá ter efeitos danosos ao Alvinegro. Brasileirão é um torneio pesado, cobra engolindo cobra, todos em busca de melhores classificações, cada qual lutando com as armas que têm.

- O BAHIA não é o caso, nem nos compete, problema lá deles, mas o Ceará, sim. Ele está na mesma competição do maior rival, o Fortaleza que, por enquanto, está entre os quatro melhores, voando em céu de brigadeiro.

QUAL A SOLUÇÃO?

- PARA o Ceará só há uma saída. Qual? Ir atrás de soluções fora daqui ou preencher os lugares abertos com gente do próprio elenco. Todos sabem que o Alvinegro não acertou o passo por mil razões. A principal delas, falta de um comando mais ousado que faça o time jogar com mais coragem de atacar e menos de se defender. E time que não ousa vencer dificilmente sairá do mesmo lugar.

EXAGERO?

- SE o STJD foi impiedoso nas punições, não vem ao caso de analisar. Não sou expert no assunto, sequer rábula. Não me envolvo naquilo que pouco sei. Me guio pelos fatos. Estes, feliz ou infelizmente, foram incontestes. A diretoria alvinegra que corra atrás do prejuízo, pois vem uma enxurrada de jogos por aí.

 

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