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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

Alan Neto esportes

Fortaleza derruba invicto Bragantino

Tricolor, com gol de Robson, mostrou força no Castelão mais uma vez
Tipo Opinião
FORTALEZA,CE, BRASIL, 25.07.2021: Jogo pela serie A do campeonato Brasileiro, Fortaleza vs Bragantino Red Bull.  Arena Castelão. (fotos: Fabio Lima/O POVO). (Foto: FABIO LIMA)
Foto: FABIO LIMA FORTALEZA,CE, BRASIL, 25.07.2021: Jogo pela serie A do campeonato Brasileiro, Fortaleza vs Bragantino Red Bull. Arena Castelão. (fotos: Fabio Lima/O POVO).

ESPERAVA-SE mais do RB Bragantino do que aquilo que apresentou no Castelão, ontem a tarde? Nem mais, nem menos. Aquilo que ele sempre foi com as devidas reservas, claro.

EXPLICANDO pra ser melhor entendido. O técnico Vojvoda iria enfrentar um adversário diferenciado. E ele o sabia. Como assim? Não foi por mero aborto do destino que o Bragantino tinha chegado aquela condição, nem por um lance de sorte. Futebol não engana, a
não ser aos incautos.

SE o clube paulista tinha alcançado aquele patamar de invicto, há várias rodadas, sem perder pra ninguém, nem fora, nem dentro de casa, é porque tinha seus méritos, logo precisava ser, primeiro estudado dentro do contexto que a partida podia oferecer.

SEDE AO POTE?

UM deles, frear um pouco mais a tão badalada intensidade imposta pelo treinador argentino, exatamente para evitar surpresas desagradáveis, naquela de ir com muita sede ao pote, pelo simples fato de atuar dentro do Castelão.

ATÉ porque o RB Bragantino tinha pregado várias peças em locais diferentes que não seu modesto estádio, onde se sente mais a vontade. Ou seja, enfrentaria um adversário difícil de ser batido, quem sabe, pudesse até mesmo surpreender dentro do Castelão. Toda cautela não faria qualquer mal.

AMBOS, aliás, atentem bem para este detalhe. Tem padrão de jogo bem semelhantes. Ou seja, se o Fortaleza é uma equipe que atua com intensidade em busca da vitória, seja onde for, o Bragantino joga da mesma maneira.

APENAS com uma vantagem sobre o Tricolor. Este time atua junto faz bom tempo, logo, tem como arma principal o entrosamento a mais letal de todas as armas usadas pelo por qualquer treinador. Barbiéri está incluso neste rol, há mais tempo no comando do Bragantino.

BEM diferente do Vodjova que chegou faz pouco tempo no Pici, já alcançou este patamar não usando qualquer varinha de condão, sim pela cartilha tática que trouxe do futebol argentino, acoplou ao Fortaleza, mudou a cara da equipe, obrigando-a a atuar de forma objetiva e aguda, própria de quem vai a campo com proposta tática diferenciada. Foiu a transformação da chamada água para o vinho.

COM a mudança do sistema tática, logo absorvida pelos jogadores, como se quisessem atuar daquela maneira e os antecessores, exceção feita ao Ceni, impunham outra fórmula. Técnico manda, mesmo os retrógrados, e os atletas obedecem, embora engolindo à força e intimamente sabendo que dificilmente dará certo. Vai longe o tempo em que jogador de futebol era um alienado. Mas se a hierarquia manda, cumpra-se o que está escrito.

O QUE de novo trouxe Vojvoda veio a calhar para os atletas. Era precisamente aquilo de que precisavam para que as peças funcionasse. Até mesmo Tinga, habituado a ser um lateral vibrante, adaptou-se a ser um terceiro zagueiro atuando mais para os lados. O restante foi se encaixando à cada nova função. Simples, assim? Nem tanto. Há necessidade de muito treinador,
prático e teórico.

LANCES CAPITAIS

O QUE se esperava foi visto no Castelão. Um ótimo jogo, com muita movimentação e dois adversários à procura do gol. Do Bragantino já se esperava aqui, enquanto o Fortaleza todos já conhecem como joga, embora com um pouco de pé no freio. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.

DOIS lances capitais definiram a partida, menos mal que favoráveis ao Fortaleza. O gol de Robson, que dandou-se a balançar as redes nos últimos jogos e a monumental defesa de Boeck, já nos acréscimos quando Aderlan teve o empate à sua mercê e o goleiro tricolor conseguiu evitar.

De goleiro o Tricolor vai muito bem, obrigado. Nenhuma surpresa. Boeck sempre foi um grande goleiro e teve seus bons tempos de idolatria. Voltou, melhor que antes.

ENFIM, a vitória (1 a 0) fez jus a quem foi um pouco melhor que o adversário também muito bom. Mas foi aqui dentro, no Castelão, que o Fortaleza quebrou a castanha da tão badalada invencibilidade do RB Bragantino, cuja fase, ninguém ousa negar é também muito boa. Um jogo parelha, ótimo de ser visto, como já se era de esperar.

EM futebol, como na vida, nada é para sempre. Esta quebra de longa invencibilidade que o diga...

 

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