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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

Alan Neto esportes

Na base do desespero, Fortaleza arranca virada no bravo CRB pela Copa do Brasil

Tricolor menosprezou o rival alagoano no começo, levou um gol, mas contou com oportunismo de Wellington Paulista para virar e abrir vantagem no confronto
Tipo Opinião
Wellington Paulista marcou os dois do Fortaleza contra o CRB (Foto: FABIO LIMA)
Foto: FABIO LIMA Wellington Paulista marcou os dois do Fortaleza contra o CRB

- FORTALEZA venceu o CRB, ontem à tarde, no Castelão (2 a 1), pela Copa do Brasil, sem que antes tivesse que apelar para o desespero, pois terminara o primeiro tempo em desvantagem no marcador. O desespero na maioria das vezes atrapalha, complica tudo. Em outras tantas, como ontem, ajudou a virar o marcador, com dois gols de pênalti de Wellington Paulista.

- FOI um sufoco pelo qual o técnico Vojvoda passou ao se ver em desvantagem no marcador, ainda por cima dentro do Castelão. O gol de surpresa do bom time alagoano, feito por Nícolas Careca, no primeiro tempo, deve ter baratinado a equipe tricolor. Só pode. Simplesmente o Tricolor desnorteou-se em campo.

ÀS RÉDEAS

- EXPLICA-SE. Primeiro não imaginava tomar aquele gol, com as rédeas do jogo na mão, dando a nítida impressão de que venceria fácil. Não foi bem assim porque cada partida de futebol tem um enredo diferente, isto vem desde o tempo do ronca. Não fora assim, que graça teria?

A SURPRESA

- ACONTECE que o Fortaleza não imaginava encontrar pela frente uma equipe bem arrumada taticamente, de bons valores individuais, como a do CRB. Mas ele já havia pregado alguns avisos nesta Copa do Brasil, quando enfrentou equipes superiores. Ou o argentino Juan Pablo não acreditou que fosse verdade ou então foi naquela de que poderia vencer com facilidade. Por pouco não entra pelo cano.

- ALIÁS, nos primeiros minutos, quando a bola começou a rolar já se fazia perceber que o CRB não seria um adversário fácil, tal a maneira como envolveu o Fortaleza em muitas ocasiões. Não fora a perícia de Boeck, talvez tivesse construído a vitória ainda no primeiro tempo por placar, quem sabe, mais dilatado.

PARAFUSO

- TANTO que, quando o gol do Careca balançou as redes, o clube alagoano era dono das ações. Até parecia estar jogando em casa, tamanha a facilidade como envolvia o Fortaleza, que parecia ter entrado em parafuso. Pela primeira vez, Vojvoda, na área técnica, esgoelava-se na tentativa de que sua equipe acordasse pra realidade. Não funcionou.

- MENOS que o Fortaleza tenha entrado de maneira diferente das anteriores. Foi o mesmo time, a mesma formação, a mesma moldura tática. E por qual razão, então, nada disso funcionou? Simples fato de que, em futebol, os filmes não se repetem.

QUEM VAI SABER?

- TALVEZ, teoricamente, o Fortaleza tenha imaginado que o CRB, por ser de Alagoas, não fosse oferecer tanta resistência. Estrepou-se precisamente aí. CRB ofereceu muito mais do que se passou pela cabeça de Vojvoda. Ou ele não terá estudado seu adversário através de vídeos, por esquecimento do setor, ou por puro esnobismo? Quem vai saber?

- SÃO tantos os mistérios que uma partida de futebol encerra em seu desenrolar que, de repente, as coisas ocorrem ao contrário do que se pensa. Como assim? Teoricamente, em casa, no Castelão, o Fortaleza era o franco favorito. Na teoria, bem entendido. Na prática, a história foi outra.

A VIRADA

- AINDA bem que uma partida tem dois tempos, com as novidades introduzidas pela Fifa, como as das cinco mudanças, ao invés de três, para que Juan Pablo pudesse mexer em alguns setores que não estavam engrenados.

- FUNDAMENTAL, a entrada do veterano Wellington Paulista, espécie de arma secreta, embora seja muito claro que, aos poucos, Vojvoda nutre o desejo de deixá-lo cada vez mais no banco, menos tempo em campo, com a intenção de remoçar a equipe.

- ESTE tiro saiu pela culatra quando, no desespero, teve de utilizar-se do WP9. Sua bagagem de experiência poderia ajudar na reação tricolor. Se Juan Pablo pensou assim, pensou certo. E se não pensou, por puro bambo, acabou dando certo também.

SANGUE FRIO

- OS dois pênaltis, por sinal, caíram do céu para que Wellington Paulista decidisse os destinos da partida, transformando-o em herói da virada. Só para quem já beira os 40 anos, com tanta cancha e sangue frio, podia ser o indicado pelas duas cobranças fatais.

- ADICIONE-SE o fato de que WP9 é exímio batedor de penalidades. No primeiro, chutou pelo alto, sem chance de defesa para o bom goleiro Diogo Silva. No segundo, muito mais cavado pelos protestos de Pikachu, o veterano artilheiro fez o contrário do primeiro.

- CHUTOU forte, rasteiro, no canto, sem chance de defesa. Estava decretada a virada (2 a 1) do Fortaleza, vitória que poderá lhe render boa grana pros seus cofres. Mas aí é outra história, dentro de uma semana.

 

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