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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

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Rajadas antes do Clássico-Rei de Ceará e Fortaleza que teimam no mesmismo

"Sem favorito, equilíbrio de forças, cara de empate", resume colunista
GABRIEL DIAS e Carlinhos disputam lance em Clássico-Rei, no Castelão
 (Foto: Aurelio Alves)
Foto: Aurelio Alves GABRIEL DIAS e Carlinhos disputam lance em Clássico-Rei, no Castelão

- ESTE clássico de amanhã — Ceará x Fortaleza — com raros retoques, tem o mesmo retrato de tantos outros ao longo do tempo. Sem favorito, equilíbrio de forças, cara de empate. Trocando um pelo outro, nenhum de volta.

- FORTALEZA leva certa vantagem de ter optado por jogar avançado, com intensidade, buscando o gol. O Ceará, ao contrário, entra em campo pra não perder, quer dizer, empate pra seu treinador é o melhor resultado do mundo.

- ELE mesmo é quem diz nas tradicionais e bobocas entrevistas coletivas, onde os jornalistas são monitorados, pelos setores de imprensa dos clubes, filtrando perguntas. Onde já se viu? E a Apcdec, nosso órgão maior, não toma uma providência. De frouxa que ela é.

- VOJVODA ainda diz alguma coisa, mas como fala em espanhol e rápido, pouco se entende. Não vem ao caso. Deve ser o mesmismo em idioma diferente. Todo treinador acaba por repetir as mesmas asneiras, recheadas de lugares-comuns. Querem um exemplo? Seu time nunca joga mal, cumpre seu papel, ganhando ou perdendo. Quanta estupidez.

- QUEREM fazer o torcedor de trouxa, como se ele não entendesse de futebol. Entende, sim, muito mais do que qualquer um de nós, cada qual dentro da sua visão.

- QUEIRA Deus o torcedor não sabe quando uma equipe joga mal, determinado atleta quebra a bola, um time joga na retranca, com medo de perder, aquele lenga-lenga sem fim. Juan Pablo ao menos tenta ousar, embora não tenha um grande time. Aguentar o Crispim é o fim da picada.

OS MEDOS

- CEARÁ e Fortaleza parecem já entrar em campo com medo de perder, cada qual ampliando suas precauções. Ceará, então, é craque nisso. O Guto enterra o time e só o Robinson, teimoso que é, não enxerga isso. Prefere segurar na alça do caixão pesado.

- QUEM imaginar ver um Ceará diferente, tire o cavalo de chuva. Vai esperar o Fortaleza atrás e partir para o contra-ataque. Com quem? Guto não muda nada. Não ousa sequer escalar o Vina como atacante, já que ele, do meio pra frente, está uma lástima. Pelo menos tem estatura, com aquele corpanzil, melhor que o Cléber e o Jael, dois postes.

- FORTALEZA tem outro estilo, mas não tem jogador que faça a diferença. Aquela dupla de atacantes — Robson e David — é de doer. Bota o Wellington Paulista, que o argentino não gosta, mas pelo menos conhece o caminho do gol, especialmente batendo pênalti. Deixá-lo no banco castiga a si e ao time.

SEMPRE FOI ASSIM

- PORÉM, clássico sempre foi assim e não mudará tão cedo, como se torcedor gostasse de dois times parados, jogando para os lados, esperando uma chance de botar a bola nas redes. Ceará privilegia defesa e meia-cancha. Coisa de treinador medroso. O outro ainda tenta fazer algo diferente, mas só intensidade não ganha jogo. É preciso algo mais que o Tricolor não tem.

VAMPIROS

- PODE até ser que amanhã consigam mudar. Melhor apostarem na na ressurreição do vampiro de Dusseldorf. Até torço pra queimar a língua, vermos ao menos um bom clássico. Não faço muita fé e não sou pessimista. Sou realista. O que podem oferecer tricolores e alvinegros a não ser o mesmismo?

ÁLBUM DE FAMÍLIA

- FORTALEZA não muda. Ceará muito menos. Então, será um álbum de família, cada qual tentando fazer aquilo que não sabe ou, aliviando a barra, procurando algo diferente. Dificilmente conseguirão. Times medrosos em campo, cheira a pelada.

- PARECE que estamos vendo. Ceará todo atrás, procurando bloquear os setores e o Fortaleza atabalhoadamente tentando atacar sem coordenação, na base da velocidade. Jogo de futebol não é prova de pedestrianismo. Quem corre mais chega primeiro, como a fábula do coelho e da tartaruga.

PONTOS CARDEAIS

- ONDE o Guto pode mexer pra melhorar. Lugar nenhum, pois ele só sabe jogar daquele jeito. Técnico de uma nota só, não sai do do-re-mi. O Vojvoda ainda tenta fazer algo diferente, sempre pontificando a escola argentina. Se fosse tão boa assim, seria campeã do mundo a vida toda.

- SE Guto pode anunciar a volta do Luiz Otávio, trocando ele pelo galalau que entrou no seu lugar, sou mais o que vem jogando. Se o Juan Pablo pensa trocar o Boeck pelo Felipe Alves, que diferença fará? Goleiro não faz gol e o Boeck vem muito bem. O problema não está debaixo das traves. É mais em cima. No Ceará, o modelo que ronda é de de técnico que odeia vencer.

DETALHES

- QUEREM um exemplo. Ceará não ganhou este ano nenhum clássico diante do seu maior rival. Empatou ou perdeu. Quer chegar onde?

- ATÉ hoje, pelos alfarrábios fabulosos do grande Miguel Júnior, 1.507 em toda história. Mais empates que vitórias e derrotas. Ok, ok, e eu com isso?

 

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