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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

Alan Neto esportes

O que faltou ser dito sobre o mau momento de Ceará e Fortaleza

Juntos, times cearenses completaram dez jogos sem vencer no Brasileirão. Os dois já começaram o returno com derrota por 2 a 0 — o Alvinegro para o Grêmio, o Tricolor para o Atlético-MG
Tipo Opinião
Jejum de cearenses na Série A chegou a 10 jogos (Foto: Aurélio Alves/O POVO)
Foto: Aurélio Alves/O POVO Jejum de cearenses na Série A chegou a 10 jogos

CINCO reflexos negativos da derrota do Fortaleza para o Atlético-MG. Primeira: perdeu invencibilidade como mandante. Não era derrotado em casa desde março, portanto, 168 longos dias.

SEGUNDO. Foi ao chão a invencibilidade de nove jogos encarrilhados, como mandante, no Brasileirão, pois derrota para o Ceará não conta porquanto era visitante. E, como tal, o mando de campo não era dele, Tricolor.

NÚMERO três. Deixou, após oito rodadas de ocupar a terceira colocação, a qual vinha mantendo fazia bom tempo. Livrou-se, contudo, de estar fora do G-4, não fora o RB Bragantino, com toda aquela empáfia, ter perdido pra Chapecoense que, até então, não ganhara de ninguém. Pra completar a hecatombe, dentro de Bragança Paulista. Esta casa também desabou...

QUARTO reflexo negativo. Vamos a ele. Chegou ao sexto jogo sem vencer, acumulando empates e derrotas. Convém clarear a mente dos amnésicos. Tricolor não vence há um mês na Série A. Pra refrescar ainda mais a memória, último triunfo do Fortaleza, contra o Palmeiras, dentro do Allianz Parque. Até então tudo eram flores. Os espinhos começaram a chegar.

O ESQUECIDO

DECIDIDAMENTE o veterano artilheiro Wellington Paulista não entrou no facho do técnico Juan Pablo Vojvoda. Sentado no frio banco de reservas quando, em qualquer time do mundo, o goleador é opção intocável e primeira. No time do argentino é — pasmem — terceiro lugar no banco. Incrível, mas verdadeiro. Na sua frente estão Igor Torres, ainda engatinhante no futebol e o andarilho Edinho, com aquele futebol de só driblar para os lados. Infelizmente, não se reciclou por onde andou. Se progrediu, foi muito pouco. Se Vojvoda não sabe, mas deve, paciência de torcedor é do tamanho de uma unha.

RETORNO de Felipe Alves à meta do Fortaleza já era esperado. Aqueles dois frangos tomados pelo Boeck, na partida anterior, o queimaram na impiedosa fogueira do argentino. Com ele funciona a leia do Chico de Brito, aquela do — escreveu não leu, o pau comeu. Coincidência, ou não, praga do Boeck, pois não é que o Felipe Alves tomou também dois gols. Se serve como consolo, lá vai mecha. Nenhum deles foi frango, muito mais falha da zaga que preferiu bater cabeças.

MANIAS & CACOETES

CADA técnico de futebol tem suas manias e cacoetes. Não só têm, como faz questão de expô-las publicamente. Cuca, por exemplo, cujo trabalho no Galo é digno de elogios — basta olhar a colocação em que se encontra, folgadamente na primeira colocação. Manias de Cuca, não é uma. São duas. Principal delas: roer as unhas, pelo visto quase em carne viva.

A OUTRA. Passa pouco tempo em pé, preferindo muito mais ficar de cócoras. Cabe perguntinha absolutamente ingênua e inócua — o que um técnico de futebol, de cócoras pode enxergar diante de si a não ser meiões sujos e chuteiras enlameadas? Mas, mania, sabe como é, cada qual tem a sua, ou as suas, e delas não abre mão...

VALEM QUANTO PESAM

ATLÉTICO-MG não só formou uma ótima equipe, cujo objetivo é o de ser campeão, quebrando um tabu de quase 50 anos, quanto teve de puxar pela nota. Atentem só para este detalhe. Só com os salários dos atacantes Hulk e Diego Costa, algo em torno de R$ 2,6 milhão, paga 70% da folha mensal do Fortaleza, que ronda a casa dos R$ 3,5 milhão.

COMO se não bastassem os gols que o atacante Robson perde com incrível facilidade, neste quesito é campeão, o técnico argentino ainda leva no banco dose exagerada de seis atacantes a saber — WP9, Romarinho, Edinho, Igor Torres, Depietri e Henríquez. No liquidificador, não passam de esforçados e bonzinhos. Precisamente lá onde o purgatório está entupido deles...

POR ACASO ESTREOU?

CEARÁ perdeu para o Grêmio, que não ganhava de ninguém, vice rabeira do Brasileirão, tragado pelas labaredas da incompetência, de um time de valores rebuscados e que buscou no superado Felipão sua tábua de salvação. Dois aspectos que precisam ser levados em conta. Primeiro deles — este jogo marcava a estreia do novo técnico alvinegro, Tiago Nunes. Segundo e o principal — mesmo diante do fraco Grêmio, o Alvinegro jogou pedra na lua.

TUDO aquilo que Nunes havia prometido, em sua primeira coletiva, muito mais pra orador da turma, um Ceará diferente, a partir da saída de bola, agudo nos ataques, coeso na meia-cancha e defesa, nada disso aconteceu. O que se viu foi um Ceará, apático, sem inspiração, repetindo os mesmos erros do ex-técnico Guto Ferreira. Tem torcedor começando a sentir saudades do Gordiola...

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