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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

Alan Neto esportes

Cearenses venceram os moribundos da Série A; há sinceridade nisso?

Alvinegro fez um xoxo 1 a 0 na lanterna Chapecoense em casa, enquanto Tricolor venceu pelo mesmo placar o inócuo Sport lá na Arena Pernambuco
Tipo Opinião
O jogador Marcelo Benevenuto comemora gol do Fortaleza durante a partida entre Sport e Fortaleza, válida pelo Campeonato Brasileiro na Arena de Pernambuco em Recife (PE), neste domingo (26). (Foto: MARLON COSTA/AE)
Foto: MARLON COSTA/AE O jogador Marcelo Benevenuto comemora gol do Fortaleza durante a partida entre Sport e Fortaleza, válida pelo Campeonato Brasileiro na Arena de Pernambuco em Recife (PE), neste domingo (26).

HÁ precisamente — pasmem — 52 anos o Fortaleza não vencia o Sport dentro de Recife. Chega a ser um exagero, mas pelos alfarrábios de Miguel Júnior, que não costumam derrapar, o tempo é precisamente este. De lá para cá, quantas vezes se enfrentaram? Quatorze vezes. Só? Pelas contas da aritmética mais rudimentar, durante todo este período, chega-se a conclusão de que, de uma partida pra outra, o período era, digamos assim, enorme.

SÓ um bamba em matemática, que nunca fui, para fazer essas contas. Porém, chega a espantar, até mesmo desconfiar, de que alguma coisa não bate nessas estatísticas. Que fique bem claro. Não coloco em dúvida os alfarrábios do companheiro de rádio e TV, mas é o caso de se fazer uma revisão antes que algum pernambucano venha de lá com quatro pedras na mão.

DONO DA BOLA

POUCA gente reparou. Quando da marcação do pênalti, um tanto maroto, favorável ao Ceará, Fernando Sobral apoderou-se da bola como que anunciando que ele bateria.

JAEL, que posa por vezes de dono do time, apoderou-se da bola e foi para a marca fatal. Sobral não disse nada, mas fez cara de poucos amigos. Intimamente deve ter torcido para que o companheiro perdesse. Intimamente, bem entendido.

NÃO foi bem assim. Jael fez uma cobrança perfeita, dando-se ao luxo até mesmo de usar a cavadinha, algo raro nos dias de hoje.

ANTES, o dono da bola era Vina. Isto é, quando reinava no time alvinegro. Após perder quatro penalidades seguidas, desistiu do oficio. Prefere manter-se a distância, esperando pelo desfecho para só então comemorar.

BONS FLUÍDOS

PARA quem coleciona curiosidade, o Ceará voltou a marcar gol após 373 minutos, trocando em minutos, segundo e décimos, três jogos completos e pouco mais de dois tempos de duas partidas.

OS bons fluídos, contudo, não pararam aí. Deu fim também a um jejum de 6 jogos sem vencer. Afastou-se da zona maldita com os 3 pontos conquistados. Pra completar, foi a primeira vitória do novo técnico, Tiago Nunes, no comando do alvinegro.

ASSIM como não deve ser esquecido que o adversário era o pior do Brasileirão, caso da Chapecoense, que, até então, só havia vencido uma partida, primeiro candidato ao rebaixamento. Só um milagre para salvá-la.

SE mal pergunto. Diante de adversário tão frágil, apesar de esforçado, o Alvinegro só vencer por 1 a 0, além do mais gol de pênalti, não é algo assim pra se comemorar com tanta ênfase, nem alvíssaras.

FALTA MUITO

ANTES que esqueça. Entre o Ceará comandado por Guto Ferreira e hoje pelo Tiago Nunes, pouca coisa ou quase nada mudou.

DOIS pequenos exemplos. Cadê o time agudo exigido pelo presidente Robinson de Castro? Pelo visto, entrou num ouvido do Tiago Nunes e saiu no outro.

OUTRO exemplo. A não ser a inclusão de alguns jogadores da base, nenhum que, por enquanto, enchesse os olhos da torcida, o Ceará pouco ou quase nada mudou. Bem que o adversário, de tão fraco, ofereceu essa chance. Em alguns momentos da partida, isto sim, a Chapecoense esteve até perto de empatar.

O técnico Tiago Nunes, urgentemente, falatório à parte, que não enche barriga de ninguém, precisa rever os seus conceitos.

NÃO DEU CERTO

SABE-SE agora que não foi só por causa de alguns problemas na Ilha do Retiro que o Sport levou seu jogo para a Arena Pernambuco, quase em desuso.

VERDADEIRA intenção era a de, quem sabe, com a mudança do local, o Sport reaprendesse a vencer. Não deu certo, nem funcionou. O clube pernambucano continua na zona de rebaixamento, vice-lanterna, posando como um dos candidatos, depois da Chape, de voltar a Série B.

MAIS se lamenta em tudo isso foi a construção de uma Arena para a Copa do Mundo sediada pelo Brasil, ser tão pouco utilizada pelos clubes pernambucanos.

MOTIVO? Simples explicar. Todos os três clubes têm estádios próprios, onde não pagam um mísero centavo de taxa. Para completar, a distância da Arena Pernambuco, como se fosse daqui a Horizonte, desestimula qualquer torcedor a se deslocar para tão longe.

ISTO é, quando o público voltar aos estádios...

 

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