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Colunista do O POVO, Alan Neto é o mais polêmico jornalista esportivo do Ceará. É comandante-mor do Trem Bala, na rádio O POVO/CBN e na TV Ceará. Aos domingos, sua coluna traz os bastidores da política e variedades.

Alan Neto esportes

A rasteira inesperada do Fortaleza no Ceará pelo argentino Silvio Romero

Ceará passou toda a semana anunciando interesse pelo atacante Silvio Romero, do Independiente, da Argentina. De repente e de surpresa, o Fortaleza anunciou, ontem à noite, a contratação
Atacante Silvio Romero comemora gol no jogo Fênix x Independiente, no estádio Alfredo Parque Victor Viera, pela Copa Sul-Americana (Foto: Staff images /CONMEBOL)
Foto: Staff images /CONMEBOL Atacante Silvio Romero comemora gol no jogo Fênix x Independiente, no estádio Alfredo Parque Victor Viera, pela Copa Sul-Americana

CEARÁ passou toda a semana anunciando interesse pelo atacante Silvio Romero, do Independiente, da Argentina. Entre especulações e lero-leros não saiu disso, criando junto a sua torcida uma bolha de expectativa. Nem oficializava, muito menos o atacante dava o ar da graça. Boatos no mundo, sabe como é, abrem os olhos da concorrência.

DITO e feito. De repente e de surpresa, o Fortaleza anunciou, ontem à noite, a contratação de Romero, tudo feito em silêncio sepulcral, para que nada transpirasse. Ele está vindo, sim, só que a rota foi mudada, quer dizer, de Porangabuçu, para o Pici.

MARCELO Paz usou a arma poderosa do silêncio pra fechar as negociações, com a ajuda do técnico Vojvoda, que teria feito a intermediação, após aprovar a vinda de Romero.

CARENTE de rasteiras, que há anos não aconteciam, esta é a primeira do ano e outras virão. Haverá troco? Pode ser, pode não ser. Romero é apontado, hoje, como o melhor atacante do futebol da Argentina. Em defesa própria, o presidente Robinson de Castro, entre desolado e surpreso, saiu-se com essa — "Da minha boca jamais saiu qualquer declaração sobre o interesse do Ceará nesse jogador".

PELO sim, pelo não, o Fortaleza levou a prenda para o Pici, estourou a bomba, saiu de perto. Primeiro, por ser mais esperto. Segundo porque motivou sua torcida, ávida por uma contratação de impacto.

E O Ceará como fica em toda essa história? Terá que se contentar com o Zé Roberto, do futebol goiano.

TANTAS LEMBRANÇAS

DESFILA pela minha memória, empoeirada pelo tempo, tantas lembranças do futebol, que meus olhos viram, nessa estrada longa percorrida, escrevendo e falando, impossível juntá-las todas. Vou colhendo pedaços, aqui, acolá, desde que não seja traído por um detalhe que faltou ou algum outro que deixei escapar. A idade avança, a memória fragiliza, enfim, ninguém é perfeito.

OBRA DO ACASO

MOZARZINHO foi o melhor craque que meus olhos já viram. Diferente do irmão Moésio, que Armando Vasconcelos um dia o rotulou de "cérebro". Como Moésio transformou-se em técnico, ao mesmo tempo jogador, deveu-se a uma discussão, antes de um jogo, do presidente do Fortaleza à época, que queria impor a presença de determinado jogador e o técnico o vetou. Ali mesmo, no vestiário, ele foi despedido.

DÚVIDA cruel. Quem assumiria o comando da equipe tricolor naquele momento crucial? Moésio tomou à frente — "Pode deixar. Para este jogo eu faço as duas funções". Fortaleza aplicou sonora goleada no adversário, a partir dali nunca mais Moésio deixou de ser técnico.

JOGO terminado, festa nas arquibancadas, o presidente foi abraçar Moésio, encharcado de suor, aos gritos — "A partir de hoje você é o novo técnico do Fortaleza". Foi a partir daquele jogo que ele resolveu trocar as funções, quer dizer, de jogador para treinador um dos melhores da longa história tricolor.

O RITUAL

ARMANDO Marques, melhor árbitro do futebol brasileiro, veio apitar pela primeira vez, no PV, nosso clássico maior. Cobrou cachê alto. Como se tratava de uma decisão, os dois rivais impuseram sua presença, o jeito foi aceitar todas as suas exigências. Armando tinha ritual próprio para entrar em campo. Quando penetrou no gramado, os assobios cruzaram o PV de uma ponta a outra. Teve uma atuação perfeita, embora o resultado não saísse do empate.

TERMINADO o clássico, os árbitros da terra foram homenageá-los, numa das peixadas da cidade. Quem viu ele aceitar? — Ou o levariam pro Náutico, até então, ponto preferido da classe alta da cidade, ou voltaria para o hotel. Desejo atendido.

EM lá chegando a surpresa maior. Armando foi ao cardápio, escolheu o prato mais caro e famoso da época — "Lagosta ao Termidor". Seus colegas da terra se entreolharam, mas não houve jeito. Maitre Batista percebeu a saia justa, achando a solução. Qual mesmo? Dividiria a pedida dos demais, serviria a Armando o que ele tinha exigido. Armando percebeu a situação, fez de conta que não era com ele.

PÊSAMES meu pai havia falecido à tarde. O velório atravessaria toda a noite. Fiquei na dúvida se daria ou não expediente no jornal. Tomei a decisão que me pareceu a mais acertada pelo lado profissional. Tinha certeza meu pai aprovaria. Fui ao jornal, escreveria a coluna, voltaria pra cumprir o restante do velório.

DEMÓCRITO Dummar soube. Saiu do seu gabinete, foi me encontrar na última fila da redação. Diante do olhar dos meus colegas debruçou seus dois braços sobre minhas costas, passou ali uns cinco minutos, sem dizer uma única palavra. Foi a forma encontrada pra manifestar seu pesar. Uma cena inesquecível, comovente, que jamais saiu da minha mente.

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