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Globo enfim percebeu potencial da internet e vai lançar a GE TV, para surfar no digital
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Locutor esportivo da Rádio O POVO CBN. Radialista formado e acadêmico em jornalismo pela Universidade Estácio, já trabalhou em diversas rádios de Fortaleza, atuando como narrador e em outras funções, incluindo a parte técnica. Esta coluna trata sobre mídia esportiva e analisa os avanços das transmissões esportivas em todas as plataformas

Globo enfim percebeu potencial da internet e vai lançar a GE TV, para surfar no digital

A Globo enfim decidiu jogar com força no campo digital. O lançamento da GE TV mostra que a emissora entendeu o impacto do streaming esportivo e resolveu enfrentar concorrentes que nasceram nativos digitais, como a Cazé TV. A movimentação abre um novo capítulo na disputa pela audiência e pelo faturamento publicitário no esporte
O apresentador Fred Bruno é um dos nomes confirmados no GE TV (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Foto: Reprodução/Redes Sociais O apresentador Fred Bruno é um dos nomes confirmados no GE TV

A Globo se prepara para lançar a GE TV, um novo canal digital com foco no YouTube. A proposta é transmitir eventos ao vivo e programas esportivos em um formato mais leve, jovem e próximo da linguagem das redes sociais, apostando em ativações comerciais e maior interação com o público. A estreia está marcada para o dia 4 de setembro, com a transmissão de Brasil x Chile, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.

Para isso, o Grupo Globo foi ao mercado e trouxe nomes de peso. Jorge Iggor, Bruno Formiga (ex-TNT Sports), Mariana Spinelli (ex-ESPN) e Luana Maluf (ex-Band e Prime Video) se juntam aos já globais Sofia Miranda, Jordana Araújo, o ex-jogador André Balada e o apresentador Fred Bruno, âncora do GE em São Paulo.

Não é um projeto inédito na mídia esportiva atual. O que chama atenção é a intensidade da aposta da Globo, em uma clara tentativa de recuperar terreno. O sucesso da CazéTV, exibindo os mesmos jogos da Record no Brasileirão, e a experiência do SBT com transmissões alternativas da Sul-Americana no YouTube, mostraram que internet e TV aberta não são concorrentes, mas complementares.

Estar presente nesse campo fortalece a marca, aproxima a Globo de uma geração que pouco consome televisão tradicional e ainda amplia a receita com patrocínios e ações digitais. As métricas de audiência online oferecem, de forma quase imediata, dados sobre quem está do outro lado da tela — algo que a TV aberta nunca conseguiu entregar com a mesma precisão.

O movimento é também um reconhecimento tardio: a Globo percebeu que subestimou os independentes. Casimiro e LiveMode transformaram transmissões alternativas em novo case, conquistaram patrocinadores gigantes e fizeram a CazéTV se tornar referência para o público jovem. Agora, o Grupo Globo quer recuperar espaço em um território que nunca dominou. É o choque entre a tradição e a espontaneidade.

Há ainda um ponto central: a audiência fragmentada. O torcedor hoje assiste ao jogo na TV, comenta nas redes sociais, acompanha cortes e ouve análises em podcasts e canais de torcida. Nesse ecossistema, a CazéTV já fala a língua do público. A Globo, com a GE TV, chega com peso institucional e nomes de credibilidade, mas terá de provar se consegue se adaptar à lógica do “conteúdo de comunidade” — algo muito distante do formato engessado da TV aberta.

Outro ponto é o mercado publicitário. A Globo tem a força de sua estrutura e relacionamento histórico com grandes marcas. Mas a CazéTV mostrou que engajamento autêntico e números digitais crescentes pesam cada vez mais nas decisões dos anunciantes. A disputa, portanto, não será apenas por audiência, mas pela fatia do bolo publicitário online.

No fim, a GE TV pode até não reinventar a roda, mas marca uma virada importante: mostra que até a Globo, acostumada a ditar as regras, agora precisa jogar no campo dos streamers e criadores. Se vai vencer essa partida, só o tempo dirá. Mas de uma coisa não há dúvida: a disputa pela relevância no esporte agora acontece, de fato, no jogo digital.

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