Locutor esportivo da Rádio O POVO CBN. Radialista formado e acadêmico em jornalismo pela Universidade Estácio, já trabalhou em diversas rádios de Fortaleza, atuando como narrador e em outras funções, incluindo a parte técnica. Esta coluna trata sobre mídia esportiva e analisa os avanços das transmissões esportivas em todas as plataformas
Nunca se apostou tanto na plataforma para a exibição de esportes como agora. E não se trata apenas de futebol, como também modalidades que historicamente tinham pouco ou nenhum espaço na TV
Foto: FCO FONTENELE
Iara Costa, Alessando Oliveira e Mateus Moura durante transmissão do Campeonato Cearense Feminino no YouTube
Durante muito tempo, o YouTube foi tratado como um complemento nas transmissões esportivas — um espaço alternativo, quase experimental, distante do "jogo grande" disputado por TVs abertas e canais por assinatura. De 2022 para cá, esse cenário mudou. A plataforma deixou de ser coadjuvante, passou a ocupar o centro do campo e hoje influencia diretamente a forma como o esporte é exibido, consumido e negociado no Brasil.
O crescimento do YouTube como player esportivo não é apenas perceptível, é estrutural. Nunca se apostou tanto na plataforma para a exibição de esportes como agora. E não se trata apenas de futebol. Modalidades que historicamente tinham pouco ou nenhum espaço na televisão tradicional encontraram no YouTube uma vitrine contínua, acessível e, sobretudo, global. O que antes dependia de grade, fuso e prioridades comerciais, hoje cabe em um clique.
Há dois movimentos claros nesse processo. O primeiro é o de canais e grupos que passaram a adquirir direitos específicos para exibição no YouTube, entendendo que a plataforma não é mais um "plano B", mas um ambiente principal de distribuição. O exemplo mais emblemático é a CazéTV, que adquiriu os 104 jogos da Copa do Mundo deste ano, sendo a única a exibir a competição completa. Nem TV aberta, fechada ou outro streaming conseguiu esse feito.
O segundo movimento — talvez ainda mais simbólico — é o da própria empresa YouTube, que passou a negociar e adquirir direitos de transmissão. É o caso do pacote do Campeonato Brasileiro da Liga Forte União, que garante um jogo por rodada. Em 2025, a plataforma fechou parceria com a CazéTV e hospedou as partidas no canal da LiveMode. Outro sinal dessa expansão foi a TNT Sports adquirir o pacote de transmissões abertas da Copa Sul-Americana para seu canal no YouTube, substituindo o SBT a partir de 2027.
Essa mudança mexe com toda a lógica das transmissões esportivas. O YouTube não entrega apenas sinal. Ele entrega dados, interação, comunidade e permanência. O torcedor não apenas assiste: comenta, compartilha, participa e cria vínculo. A transmissão passa a ser uma experiência mais aberta, com linguagem própria e menos engessada, impactando diretamente a forma de narrar, comentar e produzir.
Do ponto de vista do consumo, a transformação é evidente. O esporte passou a caber no celular, na smart TV, no computador e onde mais houver conexão. A ideia de "ligar a TV no horário do jogo" já não é mais regra. O público escolhe onde, como e com quem assistir — e essa liberdade muda o jogo para todos os envolvidos.
Claro que há desafios. A concorrência aumenta, o excesso de oferta fragmenta audiências e a sustentabilidade do modelo ainda está em construção. Mas ignorar o YouTube como força central nas transmissões esportivas é fechar os olhos para a realidade. A plataforma não apenas entrou em campo — ela já influencia o ritmo, a estratégia e o resultado das negociações.
No fim das contas, o que estamos vendo não é apenas uma mudança de tela, mas de mentalidade. O YouTube não substituiu a televisão. Ele a obrigou a se mover. E, no esporte, quem não se adapta ao jogo, fica para trás.
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