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Os servidores fazendários e as reformas fiscais
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Alexandre Sobreira Cialdini é economista, formado pela Universidade de Fortaleza, com mestrado em economia pelo Caen, da Universidade Federal do Ceará, mestrado em Planificação Territorial e Desenvolvimento Regional, pela Universidade de Barcelona, além de especialização em políticas fiscais pela Cepal, pós-graduaçãoo em Finanças Públicas Avançadas pela Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro, e doutorado na Universidade de Lisboa. É, atualmente, secretário de Finanças da Prefeitura de Caucaia, já tendo ocupado cargo semelhante nas prefeituras de Fortaleza, São Bernardo do Campo (SP) e Eusébio. É auditor fiscal concursado da Secretaria da Fazenda do Ceará

Os servidores fazendários e as reformas fiscais

O maior obstáculo à introdução de um sistema eficiente é o de obter o reconhecimento de que a eficiência de qualquer administração tributária, depende da competência e da integridade do pessoal dirigente
Tipo Opinião

No ano que comemoramos os 25 anos do Programa de Educação Fiscal nós, servidores fazendários, estamos diante de um novo desafio e grandes oportunidades, com as reformas fiscais, que propiciarão melhoria da qualidade da receita pública e equidade na cobrança sobre o destino. De uma forma geral, a receita pública é importante não só como elemento estabilizador do financiamento do Estado, mas também para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país como um todo. Todo um conjunto de serviços - educação, saúde, previdência e assistência social, transporte e comunicações, entre outros - depende e continuará dependendo em larga medida da ação do Estado, inclusive os incentivos fiscais.

A administração e a gestão tributária precisarão ser completamente redimensionadas, abertas a integração fiscal interfederativa, com compartilhamento de banco de dados e informações, que possam subsidiar o planejamento da gestão fiscal nos três níveis de governo. Por isso, é inútil esperar uma administração tributária eficiente com base na estrutura e na escala de salários de uma burocracia comum. O maior obstáculo à introdução de um sistema eficiente é o de obter o reconhecimento de que a eficiência de qualquer administração tributária, depende da competência e da integridade do pessoal dirigente.

Nicholas Kaldor, foi um macroeconomista que apresentou as maiores contribuições ao tema mais específico da administração tributária, em especial à economia política do combate à evasão fiscal. Embora publicadas nas décadas de 50 e 60, essas contribuições de Kaldor continuam atuais para o momento de reforma fiscal e têm relevância para a análise dos problemas de países como o Brasil.

Nos trabalhos de Kaldor sobre tributação, os problemas da administração tributária aparecem com grande destaque. O já citado ensaio sobre o papel da tributação no desenvolvimento econômico, de 1962, introduz a questão da seguinte maneira: "nunca é demais enfatizar que a eficácia do sistema tributário não é apenas uma questão de leis tributárias apropriadas, mas também da eficiência e integridade da administração tributária".

No Ceará temos o enorme privilégio de termos uma categoria fazendária digna e propensa as mudanças necessárias do sistema tributário brasileiro. Uma categoria fazendária que, através de suas instituições, tanto o Sindicato dos Fazendários do Ceará (Sintaf) e Associação dos Auditores Fiscais da Receita Estadual e dos Fiscais do Tesouro Estadual do Estado do Ceará - (Auditece) têm sido protagonistas em elevar o nome da administração fazendária, a partir de iniciativas e soluções que têm elevado o Ceará no destaque de um Estado em sustentabilidade fiscal e investimentos há mais de três décadas. Foi a classe fazendária que teve participação decisiva nesse processo, inclusive protagonizando no Brasil as melhores experiências de estímulo a educação fiscal. Foi no âmbito do Sintaf, que teve início o programa de educação fiscal no Ceará e no Brasil. A Auditece teve a iniciativa também de sugerir o Prêmio Nacional de Educação Fiscal. Parabéns, fazendários! n

 

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