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Nossa luta de mil anos pela tecnologia e prosperidade
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Alexandre Sobreira Cialdini é economista, formado pela Universidade de Fortaleza, com mestrado em economia pelo Caen, da Universidade Federal do Ceará, mestrado em Planificação Territorial e Desenvolvimento Regional, pela Universidade de Barcelona, além de especialização em políticas fiscais pela Cepal, pós-graduaçãoo em Finanças Públicas Avançadas pela Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro, e doutorado na Universidade de Lisboa. É, atualmente, secretário de Finanças da Prefeitura de Caucaia, já tendo ocupado cargo semelhante nas prefeituras de Fortaleza, São Bernardo do Campo (SP) e Eusébio. É auditor fiscal concursado da Secretaria da Fazenda do Ceará

Nossa luta de mil anos pela tecnologia e prosperidade

Duas perguntas instigantes são deixadas pelos autores: quanto os custos e os benefícios dos avanços tecnológicos foram desigualmente distribuídos? E quais são os efeitos?
Tipo Opinião

"Poder e Progresso: Nossa luta de mil anos pela tecnologia e prosperidade", é a tradução do título do recente livro de Daron Acemoglu e Simon Johnson , "Power and Progress: Our Thousand-Year Struggle Over Technology and Prosperity". Daron Acemoglu é um economista que se destaca por estar sempre preocupado com as fronteiras do pensamento econômico e os efeitos dessa evolução na natureza, na igualdade e na prosperidade das nações. A obra traz uma pesquisa detalhada sobre os efeitos da automação na desigualdade entre os países.

A pesquisa dos autores apresenta uma perspectiva histórica abrangente, que abarca desde o início da revolução industrial até os dias de hoje, com a revolução tecnológica e os efeitos da inteligência artificial generativa. Assim, duas perguntas instigantes são deixadas pelos autores: quanto os custos e os benefícios dos avanços tecnológicos foram desigualmente distribuídos? E quais são os efeitos?

O texto alerta para o fato de que a tecnologia não é uma força em si mesma, mas uma ferramenta construída para apoiar os objetivos de pessoas e instituições que detêm poder na sociedade. Reivindicar uma parcela justa dos benefícios da tecnologia para o resto da sociedade, ou seja, para a maior parte da humanidade, requer que se desafie esse poder.

Precisamos de instituições políticas e econômicas inclusivas que sejam: sociedade pluralista, democracia, mídia independente e cidadania. As instituições econômicas inclusivas são: concorrência, propriedade privada, cidadania fiscal e garantia dos contratos, que permitem a "destruição criadora", estimulando a inovação e o empreendedorismo.

Os enormes efeitos perversos nos primeiros estágios da Revolução Industrial traduziram-se em processo de industrialização que gerou o empobrecimento da maioria dos grupos da sociedade. De forma mais específica, o trabalho infantil se tornou endêmico nas minas de carvão e nas fábricas têxteis, em condições terríveis que deterioraram as relações de trabalho. A poluição e as doenças infecciosas tornaram-se galopantes nas cidades em industrialização.

Eu fiz uma experiência com o ChatGPT e perguntei: "Será que a 'IA generativa' reverterá estas tendências de longo prazo de aumento da desigualdade, enfraquecimento do poder dos trabalhadores e baixo crescimento da produtividade?" A resposta: "Talvez, mas provavelmente não, não é uma solução mágica. Se a IA generativa for usada para substituir trabalhadores e não apoiá-los, poderá ter consequências negativas para o emprego e a economia."

Daron e Simon alertam para a necessidade de "prosperidade compartilhada". O progresso tecnológico promete um futuro melhor, desde que o avanço tecnológico possa beneficiar a maioria da população. No entanto, isso não acontece automaticamente. Para que essa promessa seja cumprida e os custos resultantes, contidos, é preciso que a tecnologia em si e seu impacto sejam colocados sob controle social e participação das instituições inclusivas. O progresso depende das escolhas feitas em relação à tecnologia, por isso precisamos contraditar o economista Milton Friedman, que, em 1970, descreveu que "a responsabilidade social das empresas é aumentar os seus lucros".

 

Foto do Alexandre Cialdini

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