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Prevenção, mal súbito e alerta. Vamos cuidar do coração, corredor?
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Jornalista formada na Universidade Federal do Ceará (UFC). Repórter com foco em saúde e coordenadora de Cidades do O POVO. Eleita no TOP 3 +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar do Nordeste. Nesta coluna, trata de assuntos ligados ao mundo da corrida de rua, provas, novos produtos, tecnologia e cuidados com a saúde

Prevenção, mal súbito e alerta. Vamos cuidar do coração, corredor?

A coluna conversou com o cardiologista esportivo Carlos Abdias (@carlosabdias), membro da da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC-CE), sobre como cuidar do coração e prevenir intercorrências
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CONSULTA com cardiologista  (Foto: H_Ko/Adobe Stock)
Foto: H_Ko/Adobe Stock CONSULTA com cardiologista

Quais os cuidados são necessários para começar a correr ou se desafiar no esporte? Qualquer pessoa precisa fazer um check-up antes de começar uma atividade física como a corrida? A coluna conversou com o cardiologista esportivo Carlos Abdias (@carlosabdias), membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC-CE), sobre como cuidar do coração e prevenir intercorrências. 

Ele pontua que a atividade física tem que ser democrática, de fácil acesso. "A grande maioria das pessoas vai sim poder fazer uma atividade física leve a moderada sem grandes exigências ou barreiras, porque o sedentarismo, sim, que é o grande mal que a gente tem que combater", destaca. 

Mas quando é necessário procurar um médico como um cardiologista ou médico do esporte? "Quando você vai se desafiar, vai intensificar a sua atividade física, começar a participar de provas de corrida de rua ou outras modalidades, quando vai passar para um estágio acima, uma outra prova; ou ainda quando você está em um dos grupos de risco: maior de 35 anos, presença de comorbidades como hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo ou outras situações", enumera. 

O médico cita também quando há uma "história familiar positiva para doenças do coração ou morte súbita" e casos em que o corredor tem "sintomas, especialmente durante o exercício". "Quais são eles? Dor no peito, palpitação, uma aceleração do coração de forma desproporcional, uma tontura muito intensa ou ainda uma sensação de desmaio. Aí, sim, você precisa parar imediatamente a atividade física e procurar um médico", alerta.

Eletrocardiograma, ecocardiograma e ergoespirometria são alguns exames que podem ser solicitatos em caso de check-up, mas a definição deve ser realizada pelo médico após avaliação clínica personalizada. 

Ele explica que apenas em situações muito particulares, muito raras, a prática da corrida é "proibida". "Eu costumo dizer que a atividade física é para todo mundo. Claro que nem todo mundo vai poder fazer tudo. As coisas precisam ser adaptadas, mas todo mundo vai poder fazer alguma coisa", frisa.

"A corrida não é indicada em caso de diagnóstico de doenças agudas e descontroladas. Se você tem uma gripe, se você tem um quadro febril, né? Nesse momento, você não pode fazer atividade física, se você tem condições cardíacas que não estão controladas, uma pressão arterial que não tá controlada, uma diabetes ou doenças mais graves do coração. Se você passou por por uma miocardite recente, um infarto, enfim, outras doenças mais graves do coração", pormenoriza. 

Ele deixa claro que, nessas situações, não é indicada a realização de atividade física de maior impacto, "mas gradualmente, adaptando, você vai sim e deve fazer atividade física no momento adequado, com a carga adequada, bem orientado com profissional de educação física também", pondera. 

Os cuidados na realização de atividades físicas vêm à tona sobretudo quando são registrados casos de corredores que morrem após passarem mal durante a prática. Sobre casos de mal súbito relacionado ao exercício, o cardiologista esportivo alerta que "são casos muito raros".

"Por que que a gente tá vendo tantos casos? Porque muita gente tem feito atividade física. (...) Também com a divulgação que a gente tem hoje de mídias sociais, esses casos tomam uma proporção muito grande de uma forma muito rápida", acrescenta.

Ele salienta que "a atividade física ainda tem, sim, evidências extremamente robustas de melhora da saúde, de longevidade, de melhor combate às doenças que você eventualmente vem adquirir durante a vida". 

Carlos Abdias reitera que para os grupos de maior risco é importante "a avaliação médica atualizada, que vocês tenha as suas condições controladas e eventuais doenças subadjacentes sejam identificadas no momento correto e acompanhadas para que você possa ter sua atividade física segura".

Outra questão que o médico enfatiza é o abuso de substâncias. "A gente vê hoje um abuso, um uso indiscriminado de muita coisa, muitos suplementos, esteroides anabolizantes, canetas emagrecedoras falsificadas", afirma. Segundo ele, "essa mistura de tantas substâncias adicionada às condições cardíacas e de saúde que, muitas vezes, a pessoa não conhece" pode configurar um risco mais alto de evento adverso. 

Foto do Ana Rute Ramires

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