Jornalista formado na Universidade Federal do Ceará (UFC). Foi repórter do Vida&Arte, redator de Primeira Página e, em 2018, virou editor-adjunto de Esportes. Trabalhou na cobertura das Copas do Mundo (2014) e das Confederações (2013), e organizou a de 2018. Atualmente, é editor-chefe de Esportes do O POVO, depois de ter chefiado a área de Cidades. Escreve sobre a inserção de minorias (com enfoque na população LGBTQ+) no meio esportivo no Esportes O POVO
Foto: MINAS PANAGIOTAKIS / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP
Vancouver Canucks levando um gol do Montreal Canadiens, em jogo pela temporada 2025–2026 da NHL, liga norte-americana de hóquei no gelo
Início de ano, almoço de família na casa da minha avó. Minha prima, que mora em Parnaíba (PI), puxa assunto. "Primo, e essa história do Maduro na Venezuela?". Era uma pergunta genuína, de quem busca num jornalista uma análise de cenário mais otimista. De pronto, ela disparou minha ansiedade.
Tentei tergiversar. Papo de Terceira Guerra Mundial é deprimente. Essa coisa de assunto sério, vida ou morte. Bomba. Ditaduras fortes, democracias capengas. Admiro a saúde mental de quem consegue assistir à GloboNews sem a necessidade de deitar em posição fetal meia hora depois.
Eu, que sobrevivi com a saúde mental relativamente incólume à cobertura da pandemia, cansei de me obrigar a saber. Tudo que eu queria era dar razão aos críticos à minha coluna e parar de misturar política com esportes. Queria me alienar, focar em jogo ruim da Copinha, torcer para meu time de hóquei e esquecer das "grandes questões do mundo moderno"™.
Mas às vezes é difícil desvincular o esporte do torcer. E fatalmente surge a fagulha da esperança da vitória, o que lança uma sombra de carência na expectativa. Queria assistir esporte por esporte, não para tentar me alienar dos assuntos martelados pela geopolítica global. Mas a gravidade de tais tópicos é forte num nível que necessito de uma obsessão para voltar o olhar. E não tem Copinha que dê jeito.
O futebol cearense foi refúgio por anos. Fatalmente, uma hora as coisas davam certo. Eu mesmo me elegi como amuleto, já que testemunhei — como redator da Primeira Página e editor de Esportes — vitórias e títulos não só do Fortaleza, meu time do coração, como também de Ceará e Ferroviário. E quando a gente trabalha na área, a gente aprende a ficar feliz pelo cenário como um todo. Mas 2025 só serviu para diminuir o intervalo entre os picos de ansiedade.
Uma boa companhia era o hóquei no gelo. Eu, que faço a ponte entre homossexualidade e esporte anos antes de "Heated Rivalry" fazer o esporte nacional canadense ser palatável para todos os públicos, confiava ingenuamente numa boa temporada do meu Vancouver Canucks. E, em resumo, o time perdeu tanto que precisou trocar o melhor jogador da franquia para não perdê-lo de graça. Lanternas, os Nucks sonham uma boa escolha no draft para fazerem o milagre.
O que me resta é torcer que melhore. O mundo, o futebol cearense e o Vancouver Canucks.
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