Jornalista formado na Universidade Federal do Ceará (UFC). Foi repórter do Vida&Arte, redator de Primeira Página e, em 2018, virou editor-adjunto de Esportes. Trabalhou na cobertura das Copas do Mundo (2014) e das Confederações (2013), e organizou a de 2018. Atualmente, é editor-chefe de Esportes do O POVO, depois de ter chefiado a área de Cidades. Escreve sobre a inserção de minorias (com enfoque na população LGBTQ+) no meio esportivo no Esportes O POVO
Lucas Pinheiro Braathen: o esquiador brasileiro por opção
Pela primeira vez na história, o Brasil chega aos Jogos Olímpicos de Inverno com uma chance real de pódio. Isto se dá pela decisão do esquiador nascido na Noruega e filho de brasileira
Foto: FABRICE COFFRINI / AFP
Lucas Pinheiro Braathen é chance real de medalha brasileira
O jeito de falar é engraçado. Enquanto o sotaque é paulista, as conjugações verbais e as concordâncias nominais são gringas — “quebradas”, como as de um norueguês aprendendo o português. Mas o sorriso no rosto não deixa dúvidas: Lucas Pinheiro Braathen é do Brasil.
Nascido em Oslo, capital da Noruega, moldado como atleta na pequena Hokksund, Lucas é filho de um norueguês com uma brasileira. Até 2023, ele foi vice-campeão mundial júnior e ganhou 12 medalhas (cinco de ouro) em Copas do Mundo pelo país nórdico, que representou ainda nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim-2022. Desde 2024, acumula feitos inéditos para o Brasil, país que decidiu defender.
Especialista em duas modalidades técnicas do esqui alpino, o slalom e o slalom gigante, Lucas tem um ouro, sete pratas e dois bronzes em etapas da Copa do Mundo. Hoje, é vice-líder do ranking mundial nas duas modalidades, atrás do suíço e atual campeão olímpico Marco Obermatt (slalom gigante) e do norueguês vice-campeão mundial Atle Lie McGrath (slalom).
Assim, ele se tornou o primeiro brasileiro com chances reais de medalha em Jogos de Inverno. Há de se pesar que é um esporte de difícil previsão, que consiste em atletas ziguezagueando montanha abaixo sobre esquis a velocidades de até 90 km/h. Mas o brasileiro mostrou consistência suficiente para estar entre os principais candidatos ao pódio.
Lucas justifica o sucesso no lado Pinheiro dos sobrenomes. Segundo ele, o interesse por esportes surgiu do futebol — é são-paulino — e o diferencial competitivo vem do gingado do país do samba. Ele é honesto também ao dizer que, na Noruega, era apenas um esquiador entre tantos. No Brasil, pode virar um imortal do esporte. “Vamos dançar”, gosta de repetir — e de comemorar com sambadinhas mais articuladas do que as que Rubens Barrichello fazia na Fórmula 1.
Orgulhoso de representar o Brasil, Lucas Pinheiro Braathen ostenta duas nacionalidades. Mesmo quando competia pelo país escandinavo, usava verde-amarelo no uniforme.
Fico pensando em países europeus e na xenofobia com que são tratados alguns astros do futebol. Polêmicas sobre o ramadã dos muçulmanos, ataques direcionados aos de pele negra. Talvez por lá o único imigrante bem visto seja o de pele branca, o que desmascara tal outrofobia como racismo envergonhado.
O esquiador norueguês-brasileiro ainda não é conhecido do grande público. Mas duvido que alguém no Brasil rejeite a nacionalidade dele. Talvez por ele ser branco. Talvez por nós sermos sul-americanos. Talvez porque pouco conhecemos de esqui. De todo modo, Lucas já é um orgulho.
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