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O Sul como Norte e o desafio de uma política externa brasileira não-alinhada
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Augusto W. M. Teixeira Júnior é cientista político, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e do Departamento de Relações Internacionais da mesma instituição

O Sul como Norte e o desafio de uma política externa brasileira não-alinhada

Se de um lado Lula busca resgatar um percurso tradicional da Política Externa Brasileira, por outro, emerge um mundo aparentemente divido em blocos percebidos como antagônicos
Tipo Opinião
Augusto W. M. Teixeira Júnior, doutor em Ciência Política (UFPE), professor do programa de pós-graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da UFPB e do Departamento de Relações Internacionais da mesma instituição (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação Augusto W. M. Teixeira Júnior, doutor em Ciência Política (UFPE), professor do programa de pós-graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da UFPB e do Departamento de Relações Internacionais da mesma instituição

No final de junho o presidente Lula realizou mais um périplo por países europeus. Visitou o Papa Francisco, conversou com autoridades, dentre as quais a Primeira-Ministra Giorgia Meloni, expoente da direta italiana. Contudo, a mais relevante visita de Lula foi à França, onde participou da Cúpula para um Novo pacto Financeiro Global e debateu com o presidente francês ajustes sobre o acordo Mercosul-União Europeia. Apesar da relevância desses eventos, como o potencial comercial e de apoio ao desenvolvimento inerente, existe uma questão geopolítica oculta em tudo isso. Se de um lado Lula busca resgatar um percurso tradicional da Política Externa Brasileira - em busca pela autonomia e protagonismo- por outro, emerge um mundo aparentemente divido em blocos percebidos como antagônicos. De um lado, um bloco Ocidental liderado por Washington. Do outro, um bloco sino-russo liderado por Pequim. É aí onde reina o problema geopolítico para a Política Externa Brasileira. Como reinserir o Brasil com uma política externa ecumênica em um mundo cada vez
mais dividido?

Questões como o acordo Mercosul-União Europeia ou as medidas de apoio ao desenvolvimento e proteção ao meio ambiente, embora temas de relevância por seu próprio peso, tendem a ser contaminados pela disputa entre as grandes potências. Por exemplo, apesar do protagonismo brasileiro na supracitada cúpula, órgãos da imprensa europeia como o jornal Libération fez críticas contundes ao presidente brasileiro, chamando-o de "falso amigo do Ocidente" por suas declarações sobre a guerra da Ucrânia. Situações como essas deixam claro que as linhas de conflito atuais criam um ambiente internacional muito distinto daquele que navegou Lula entre 2003 e 2010.

Embora até o momento não tenhamos um mundo efetivamente dividido em blocos estanques, como na Guerra Fria, esta é a mentalidade que parece dominar a leitura do quadro internacional. Sendo assim, como a resposta a esse desafio está na nossa própria tradição internacional? O Brasil já foi visto como um "outro ocidente", um "país intermediário", uma ponte entre o mundo desenvolvido e em desenvolvimento. Se esta condição nos permite pleitear um espaço à mesa para mediar crises e propor soluções, ela deve também orientar uma clara orientação pelo não-alinhamento, visto como um ativo internacional. Se durante a Guerra Fria foi possível construir o Movimento dos Não Alinhados, não seria prudente retomá-lo? n

 

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