Augusto W. M. Teixeira Júnior é cientista político, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e do Departamento de Relações Internacionais da mesma instituição
Augusto W. M. Teixeira Júnior é cientista político, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e do Departamento de Relações Internacionais da mesma instituição
Na manhã de 3 de janeiro de 2026 os Estados Unidos levaram a termo a Operação "Absolute Resolve" com objetivo de capturar e exfiltrar Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, para os EUA. Vendida para o público interno do país como uma operação policial, quase como uma busca e apreensão de um fugitivo em outro território, a operação em tela tratou-se de fato de uma bem planejada e executada operação militar com objetivos geopolíticos claros.
Após meses de pressão econômica, comercial e militar, destacando-se a expressiva concentração de homens e armas no Mar do Caribe, os EUA lograram êxito em penetrar o espaço aéreo venezuelano, capturar Maduro e exfiltrá-lo para os EUA sem - até informações atuais - nenhuma baixa em suas fileiras. Não obstante a patente superioridade militar estadunidense, a quase inexistente resistência venezuelana impressionou especialistas que viam o país - apesar da prolongada crise econômica - como dotado de meios relevantes de defesa antiaérea.
Entretanto, apesar da impressionante operação militar que decapitou a principal liderança política do regime, este ainda subsiste, agora encabeçado pela vice-presidente Delcy Rodrigues. Mas por que isso pode ser um problema para os EUA? Bem, temos que levar em conta dois objetivos americanos, são eles a mudança de regime e o "controle" do petróleo venezuelano.
Substituir o regime por um governo eleito democraticamente, embora positivo para encerrar uma ditadura notória na região, poderia afetar a legitimidade e credibilidade do novo regime, dificultando a acomodação entre as forças nacionais venezuelanas. Entretanto, um governo amigável é indispensável para conquistar condições favoráveis para - não apenas "controlar" o petróleo venezuelano - mas sim afetar o mercado e oferta do ouro negro para rivais globais, em particular o eixo Moscou-Pequim.
A China, distante país asiático, mas tão presente em nossa geopolítica e econômica contemporânea, é uma das principais chaves para entender que a captura de Maduro pouco tem a ver com narcotráfico ou terrorismo. Na prática, trata-se de destruir as condições da longa presença chinesa na economia, indústria e infraestrutura na América Latina, resguardando aos EUA o hemisfério como a sua área de influência exclusiva.
Nesse sentido, a ameaça à Colômbia, México e Cuba ilustram claramente que a luta pela democracia e contra os cartéis é, na verdade, um cavalo de troia para reorganizar o tabuleiro geopolítico da América Latina em prol de uma potência que nunca se viu tão ameaçada em sua hegemonia como agora. Como vemos, nem tudo é o que parece à primeira vista. Os dados foram lançados!
Análises. Opiniões. Fatos. Tudo do Nordeste e do mundo aqui. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.