Bárbara Banida é escultora em cerâmica esmaltada, pintora, gestora cultural e artista dos hibridismos. Sua prática investiga ficções ecológicas especulativas e a criação de mundos como gesto artístico, elaborando ecossistemas fabulares povoados por seres híbridos em um Mundo que chama de
Foto: Pedro Bessa/Divulgaçãoa Banida
Bárbara Banida: Gargoyle, 2025, Cerâmica esmaltada, 15 x 29 x 29 cm, 1,6 Kg
Durante um tempo fiquei pensando sobre o que escrever em uma coluna de arte e cultura. Por quais vias tecer ponderações em torno de um ecossistema que, ainda que eu seja uma pessoa jovem, estou imersa há décadas. Poderia falar sobre como a arte opera dentro das escolas, públicas e privadas, enquanto um meio de sensibilização da educação e de formação estética. Partiria do ponto de que fui aluna e, também, fui professora durante sete anos.
Já quis falar a respeito da relação entre privado e público na construção da arte cearense, a partir da participação em fóruns, conselhos, galerias, museus e programas formativos. Poderia tecer ponderações, enquanto gestora, em torno da coletivização das plataformas artísticas - e ainda quero e vou escrever colunas sobre isso.
No meu aniversário de 2025, acordei e me lembrei de todas aquelas pessoas que criaram comigo nos últimos anos. Me encarei no espelho ao lado da cama: eu envolta em paredes verdes com quadros em volta. Reguei os lençóis da cama: aquarelas para o onírico. Nas gotas de água, sal e tinta que rolavam no meu rosto, também continha o marejado dos sonhos que se tornam realidade.
E quando o sonho de ser artista se torna realidade, ele muda. Se torna muitas vezes mais arisco e difícil. Por vezes incerto, em um cenário de falta de investimento para contemplar todas essas pessoas sonhadoras e seus choros.
Mas não se perde a magia do sonho. O encanto, o insólito, o sublime. O espanto com a criação não se esvai, mas passa a fazer parte de um cotidiano que nunca nos foi ensinado. Nós inventamos nossos próprios caminhos de vida, porque a sociedade não nos ensina e nem nos impele a ser artista. Mas a existência inventiva nos urge, nos convoca, nos demanda.
E nós somos corajosas: damos um passo em direção a essa quimera. Então damos outro, e, quando percebemos, já estamos correndo em meio ao sonho. Imersas na arte - nas mais diversas artes.
Decido falar sobre isso, então. Sendo uma colunista artista, falar sobre ser artista. Estar artista no Mundo - nos Mundos, inclusive naqueles que inventamos. Sobre a magia do ateliê, sobre os percalços, medos, alegrias, encontros, colisões, fricções. Gargalhadas e choros.
Que lindo desaguar na cama no dia do aniversário, pela coragem de ser artista. Que os anos se passem assim: sem perder o espanto com essa escolha árdua, mas maravilhosa - e inevitável.
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