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Boris Feldman é mineiro, formado em Engenharia e Comunicação. Foi engenheiro da fábrica de peças para motores Metal Leve e editor de diversos cadernos de automóveis. Escreve a coluna sobre o setor automotivo no O POVO e em diversos outros jornais pelo país. Também possui quadro sobre veículos na rádio O POVO/CBN

Boris Feldman automóveis

Por que tanta discussão quando se fala de aditivos?

Fácil de empurrá-los nos postos pois motoristas não distinguem entre os necessários e a pi-ca-re-ta-gem
Tipo Opinião
É necessário adotar a marca de óleo eleita pela fábrica? (Foto: Diego Camelo/O POVO)
Foto: Diego Camelo/O POVO É necessário adotar a marca de óleo eleita pela fábrica?

O problema dos aditivos para o automóvel são os interesses econômicos nem sempre coincidentes com os técnicos. As fábricas que os produzem estão de olho neste gigantesco mercado de automóveis que representa enorme faturamento. Surgem, então, dezenas de empresas no mundo que desenvolvem aditivos de todo gênero: para o óleo do motor, água do radiador, combustíveis, lavadores...

Vamos nos limitar aos dos motores a combustão, já responsáveis por muita controvérsia.

Óleo: desnecessário
Aditivo que não deveria sequer dar margem a discussão nenhuma, por ser rigorosamente desnecessário no cárter. O lubrificante do motor é resultado de milhares de horas de desenvolvimento conjunto entre as engenharias da fábrica do veículo e da que produz o óleo. E determinados então os aditivos necessários em função de inúmeros fatores específicos como seus materiais, rotação, temperatura, folgas e vários outros. Então, o óleo do motor especificado pelo fabricante do automóvel cumpre rigorosamente todas suas exigências e produzido com todos os aditivos necessários.

Cabe ao dono do carro apenas cumprir prazos de troca - em tempo ou quilometragem - conforme recomendação do manual.

Outra dúvida: necessário adotar a marca eleita pela fábrica?
Não, pois é resultado de mero acordo comercial entre as empresas. Pode-se usar qualquer outra – que seja tradicional, de qualidade e reconhecida mundialmente. E, claro, desde que o óleo atenda às especificações SAE (viscosidade) e API (aditivação).

Mas aí aparecem os tais interesses econômicos. Empresas que dão tratos à bola para criar produtos que tragam faturamento fácil às custas da crença dos motoristas em suas duvidosas propriedades.

Qual delas não quer ter o dono do posto, da “troca de óleo” ou da oficina mecânica como parceiro na comercialização de seu produto? Ele goza de confiança do cliente e tem poder de convencimento para criar a demanda do produto, necessário ou não.

Fossem inúteis e apenas corroessem o saldo bancário do freguês, já estaria de bom tamanho. Entretanto, muitos deles podem reagir quimicamente com os aditivos já presentes no óleo original e danificar o motor. O Militec, por exemplo, para escapar da classificação de “aditivo”, declara se utilizar do óleo apenas como “meio de transporte” para atingir os componentes metálicos que anuncia proteger.

Gasolina: depende...
Seu elevado teor de carbono torna indispensável a adição de agentes detergentes e dispersantes para evitar a formação de depósitos carboníferos na cabeça do pistão, como resíduos de sua combustão. Estes agentes já estão presentes na gasolina aditivada da bomba. Mas, como esta aditivação não é regulamentada nem fiscalizada pela ANP, recomenda-se abastecer com a gasolina comum e adicionar o aditivo vendido nos postos. E também acrescentar um aditivo especial – com os mesmos agentes detergentes/dispersantes - em determinada quilometragem para se ter segurança da limpeza interna do motor.

Evitar os frasquinhos miraculosos – também vendidos nos postos – que anunciam aumento de octanagem, potência, redução de consumo, emissões e outras maravilhas. São denominados “octane booster” ou “super booster” ou “magic octane” e coisas do gênero. Alguns podem até cumprir o que prometem, mas em gasolina de outro país, que não tenha o elevado índice de etanol da brasileira.

Além dos aditivos presentes no comércio, existem os “populares” ou que estão na “boca do povo”: naftalina, querosene, óleo 2T e tantos outros sem nenhum efeito prático exceto o estrago no bolso do motorista.

Etanol: talvez
Por seu reduzido teor de carbono (1/3 da gasolina), é mais limpo e praticamente não deixa resíduos carboníferos no pistão. Por isso, apenas duas distribuidoras (BR e Shell) oferecem o etanol aditivado justificando sua conveniência pelo efeito detergente e lubrificante. O primeiro, em válvulas de admissão devido à passagem de gases provenientes do óleo do cárter. E para lubrificá-las no caso de motores com injeção direta, pois o etanol não passa por elas.

Diesel: sim
Também requer aditivação e por isso, assim como a gasolina, é oferecido com ou sem ela na bomba. O diesel aditivado no posto tem denominação própria em cada marca: Podium na BR, Evolux na Shell, RendMax na Ipiranga, etc. Mas pode-se abastecer com o diesel simples e aditivá-lo no tanque com frascos disponíveis nos postos e lojas, como o PRO-D, por exemplo. Quem o fabrica é a Innospec, mesma que fornece o aditivo para a Ipiranga, mas existem outras marcas confiáveis.

A aditivação do diesel é composta de um pacote de agentes detergentes, inibidores de água, antiespumantes, antioxidantes etc.

 

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