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Colunista de política, o jornalista Carlos Mazza coordena o O POVO Dados, núcleo que trabalha com reportagens a partir de bancos de dados. Já foi repórter de Política e repórter especial do O POVO.

carlos-mazza • Análise

Camilo: "Se PM quer ter vida partidária, saia da Polícia"

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O governador Camilo Santana (PT) criticou no último sábado, 6, o que ele chamou de um "processo de inserção de determinados grupos partidários" dentro das polícias militares de todo o País. Destacando que a intensificação de tal movimento acabou "misturando" papel de entidades de classe, sindicatos e movimentos partidários ligados a agentes de segurança, o petista destaca a experiência vivida em fevereiro com movimento de motins no Ceará e defende que o Congresso reveja as possibilidades de atuação partidária de policiais.

"Se a pessoa quer fazer parte da vida partidária, que saia da polícia e procure ser candidato. Mas não, hoje a pessoa participa, é candidato, perde a eleição e volta para a polícia. Assim se criou um movimento político partidário dentro da polícia. Isso é grave, precisa ser revisto", disse o governador, durante transmissão ao vivo do movimento Direitos Já, que une políticos, juristas e estudiosos em defesa da democracia e contra escalada de posições autoritárias no Brasil. "Isso não é só no Ceará, é no Brasil inteiro. A gente vê a quantidade de policiais que viraram vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores, sempre com essa pauta".

O governador disse ainda que se dispõe a levantar esse debate no meio nacional. "A partir do momento em que a lei permitiu que policiais, que é uma categoria que a Constituição Federal dá o direito de portar uma arma para proteger a vida do povo, pudessem participar da vida política, partidária ou eleitoral, houve, vamos dizer assim, uma inserção de segmentos partidários dentro da polícia, inclusive misturando o papel de entidades policiais com sindicatos e movimentos partidários (...) aí você tem exatamente aqueles policiais, que estão para servir e proteger a população, que metem a faca no pescoço de um gestor por questões salariais".

 

 Camilo participou da transmissão ao vivo do movimento Direitos Já
Foto: Reprodução
 Camilo participou da transmissão ao vivo do movimento Direitos Já

Quadro atual

A posição do governador acaba tendo relação direta com o atual estado da oposição no Ceará. Atualmente, o nome mais influente do bloco oposicionista é o policial militar e deputado federal Capitão Wagner (Pros), inclusive pré-candidato a prefeito de Fortaleza contra o bloco governista. Outros nomes da oposição, como o ex-deputado Cabo Sabino, o vereador Sargento Reginauro (Pros) e o deputado estadual Soldado Noélio (Pros), também são egressos da PM.

Na contramão de Lula

Falando do cenário nacional, Camilo Santana disse ainda no sábado que legendas políticas devem deixar seus "projetos pessoais e partidários" de lado em prol de uma união conjunta pela democracia brasileira. A fala acaba sendo recado indireto ao PT e ao ex-presidente Lula, que criticou, na última semana, movimentos suprapartidários no mesmo sentido.

"O papel dos partidos é da união, nesse momento. Os partidos não podem enxergar só projetos. Tem que deixar de lado os projetos pessoais, os projetos partidários, e se unirem em defesa da democracia. Não é hora de remoer o passado nem simplesmente pensar em 2022, mas sim de pensar na importância de defender nosso país, nossas instituições", disse Camilo.

Tese de Camilo de defesa de movimentos suprapartidários vai diretamente de encontro ao defendido por Lula na última segunda-feira, 1º, durante uma reunião do PT. "Li os manifestos (desses movimentos) e acho que tem pouca coisa de interesse da classe trabalhadora. Não se fala em classe trabalhadora, nos direitos perdidos", disse o ex-presidente.

Forças Armadas em baixa

Baita desserviço o presidente Jair Bolsonaro tem feito para a imagem das Forças Armadas do País. No último domingo, o empresário Carlos Wizard anunciou que desistiu de assumir cargo na gestão do Ministério de Saúde, dias após dizer que pretendia fazer uma "recontagem" de óbitos da Covid-19 na pasta. A saída, mais uma baixa na área mais sensível à crise, deixa uma imagem curiosa: Parece que o único jeito de alguém se sustentar na Saúde agora é sendo um militar fiel e de alta patente mesmo.

 

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