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Colunista de política, o jornalista Carlos Mazza coordena o O POVO Dados, núcleo que trabalha com reportagens a partir de bancos de dados. Já foi repórter de Política e repórter especial do O POVO.

Carlos Mazza política

Filiação de esposa praticamente sela Wagner candidato

Com a pré-candidatura do Capitão Wagner (Pros) ao governo do Ceará praticamente definida, a base do governador Camilo Santana deve começar a articular suas estratégias
Tipo Opinião
Capitão Wagner ajudou a filiar a esposa Dayany Bittencourt ao Republicanos (Foto: Divulgação/Republicanos)
Foto: Divulgação/Republicanos Capitão Wagner ajudou a filiar a esposa Dayany Bittencourt ao Republicanos

Desde que chegou ao poder em 2006, o atual bloco hegemônico que governa o Ceará tem mantido o costume de deixar definições eleitorais para o limite do prazo da Justiça. "O primeiro movimento fica com a oposição", resumem lideranças do grupo. Neste sentido, a depender do principal pré-candidato oposicionista ao Governo do Ceará, Capitão Wagner (Pros), a base de Camilo Santana (PT) já pode começar a revelar suas próprias estratégias. Ao longo de junho, foram vários os movimentos claros de Wagner de olho em 2022.

O primeiro veio logo no início do mês, após o deputado afirmar que sua pré-candidatura era hoje, com todas as letras, "irreversível" dentro do bloco oposicionista. A estratégia seria, segundo o próprio Wagner, apostar em partidos e nos grupos que fazem oposição local por todos os municípios do Ceará. Até então, o nome mais lembrado como possível candidato pelo grupo era o do senador Eduardo Girão (Podemos), com mandato garantido até 2026.

Viagens de Wagner

O segundo movimento ocorreu logo depois, com Wagner iniciando viagens pelo Interior na busca por líderes da oposição. Na 1º semana, foram visitados sete municípios do Sertão Central - Iguatu, Quixadá, Quixeramobim, Acopiara, General Sampaio, Mombaça e Pedra Branca. Depois, foi a vez do Litoral Leste - com Aquiraz, Pindoretama, Beberibe e Aracati. Por último, neste fim de semana, Wagner costurou alianças pelo Maciço de Baturité, passando pelos municípios de Guaiuba, Aracoiaba, Capitrano e Baturité.

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Cartas na mesa

O terceiro movimento (e talvez o mais relevante) ocorreu na semana passada, após o deputado ajudar a filiar a esposa Dayany Bittencourt ao Republicanos no Ceará. A filiação não ocorre apenas como forma de confirmar "casamento" entre o partido e a candidatura de Wagner em 2022. Como o próprio presidente da sigla no Ceará, vereador Ronaldo Martins, deixou claro, Dayany não só é pré-candidata pelo Republicanos a deputada federal, como também é a grande aposta do partido para "puxadora de votos" na disputa.

Com a esposa já encaminhada para ser "herdeira" clara de seu espólio político na disputa, fica difícil imaginar agora qualquer cenário para 2022 em que Wagner não figure entre os candidatos para o Governo do Ceará. O principal argumento para governistas que questionavam possível candidatura do deputado, de que ele correria o risco de ficar à margem da política local no caso de uma derrota, cai por terra. Até mesmo entre os que eram mais céticos, parece que agora ficou clara que a candidatura é "para valer".

Ciro Gomes afirma em vídeo que a política e a religião (representadas pela Constituição e a Bíblia) não são conflitantes.
Ciro Gomes afirma em vídeo que a política e a religião (representadas pela Constituição e a Bíblia) não são conflitantes.

Ciro no 2º turno

Mesmo mostrando Ciro Gomes (PDT) "estagnado" na terceira colocação com 7% das intenções de voto no 1º turno, nova pesquisa Ipec foi avaliada como positiva para pedetistas no Ceará. No mesmo levantamento, Lula (PT) aparece com liderança folgada, com 49%, seguido por Jair Bolsonaro (sem partido), com 23%. A tese dos ciristas é curiosa e faz certo sentido: Segundo eles, Lula vem sendo "inflado" recentemente por conta do crescimento de um sentimento anti-Bolsonaro.

Como o atual presidente vem perdendo apoio nas pesquisas, pedetistas acreditam que parte desse eleitorado pode migrar para Ciro, na medida em que fique mais viável a probabilidade de um segundo turno sem a presença de Jair Bolsonaro. A tese explica um bocado, inclusive a recente abordagem do marketing do presidenciável pedetista, que tem apostando em campanhas voltadas para evangélicos e segmentos antipetistas. A estratégia faz certo sentido - só resta saber se funciona. Cenas para os próximos capítulos. 

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