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Rasteiras e reviravoltas: Convenções têm reta final caótica no Ceará
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Colunista de política, o jornalista Carlos Mazza coordena o O POVO Dados, núcleo que trabalha com reportagens a partir de bancos de dados. Já foi repórter de Política e repórter especial do O POVO.

Carlos Mazza política

Rasteiras e reviravoltas: Convenções têm reta final caótica no Ceará

De PSDB a Psol, últimas 48 horas da política cearense foram marcadas por negociações e movimentos que deixaram muita gente surpresa e contrariada
Tipo Análise
Convenção do PSDB foi realizada na tarde desta quinta-feira (Foto: Divulgação/PSDB)
Foto: Divulgação/PSDB Convenção do PSDB foi realizada na tarde desta quinta-feira

Em clima de reta final do prazo da Justiça para a realização das convenções partidárias para a eleição deste ano, é de assustar o clima generalizado de confusão estabelecido nas últimas 48 horas entre comandos de partidos no Ceará. Com muita coisa em jogo, disputa entre Capitão Wagner (UB), Roberto Cláudio (PDT) e Elmano Freitas (PT) tem acirrado bastidores e terminado alianças de décadas antes mesmo do início da campanha eleitoral.

O exemplo mais marcante ocorreu na tarde desta quinta-feira, 4, durante convenção da federação entre PSDB e Cidadania no Ceará. Segundo o presidente municipal do Cidadania em Fortaleza, vereador Michel Lins, grupo ligado ao ex-senador Chiquinho Feitosa (PSDB) teria orquestrado um “golpe” durante o evento, iniciando o ato antes do horário combinado e aprovando posição de neutralidade na disputa pelo Governo do Ceará.

Chiquinho, por outro lado, reforça que todas as regras partidárias foram respeitadas e que a decisão é democrática. Convidado por Camilo Santana (PT) para assumir a 1ª suplência da candidatura do petista ao Senado, Chiquinho era ávido defensor da aliança entre PSDB e Cidadania com o bloco de Elmano Freitas. Líder maior do partido, o senador Tasso Jereissati já havia, no entanto, se manifestado por apoio a Roberto Cláudio.

A desavença entre os líderes acabou em bate-boca, “rasteiras” e reviravoltas na tarde desta quinta-feira, com o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, determinando não só a destituição de Chiquinho no comando tucano no Ceará, quanto a formalização da coligação entre os partidos e o PDT. É curioso que o caso ocorra justo no PSDB, que sempre pareceu tão centralizado na figura de Tasso Jereissati no Estado.

PSDB não é exclusividade

O clima de reviravoltas e traição, no entanto, é longe de ser exclusividade do PSDB no Ceará. Ainda na noite desta quarta-feira, 3, a pré-candidata do Psol ao Governo do Ceará, Adelita Monteiro, anunciou que conversou com o ex-presidente Lula e decidiu abandonar a disputa majoritária. Em troca, Adelita deverá ser candidata a deputada federal e pode contar com apoio petista.

A capitulação de Adelita, no entanto, pegou de surpresa o pré-candidato do Psol ao Senado Federal, Paulo Anacé, que nunca participou de qualquer conversa no sentido da desistência. Na tarde desta quinta-feira, o deputado Renato Roseno (Psol) anunciou que apresentará recurso ao partido para manter a candidatura de Anacé, classificando ainda a decisão sem comunicação prévia como "um erro e uma injustiça". Diversos militantes do Psol também foram às redes sociais criticar o ajuste.

Entre a oposição, o Republicanos anunciou nesta quinta-feira, 4, apoio à candidatura de Capitão Wagner na disputa. A decisão, que vinha sendo adiada pelo partido há semanas, foi confirmada horas após o deputado Moses Rodrigues (UB), aliado de Wagner, oficializar licença na Câmara dos Deputados, em movimento que abrirá vaga para a posse do vereador Ronaldo Martins, presidente do Republicanos no Ceará, na Câmara.

Movimento semelhante ocorreu no Pros, que passou por uma série de reviravoltas e intervenções nacionais, indo e voltando entre apoios a Elmano Freitas e Capitão Wagner, mas acabando no “colo” da oposição.

Apertem os cintos

Rasteiras, intervenções e reviravoltas são elementos recorrentes em disputas eleitorais e não foram propriamente iniciados na eleição deste ano. Volume de movimentações do tipo registradas nas últimas 48 horas no Ceará, praticamente sem paralelo em tempos recentes, não deixa de surpreender e sinaliza eleição dura pela frente. E olha que ainda estamos no início de agosto.

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