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Usado na campanha contra petistas, MST tem maior vitória da história no Ceará
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O jornalista Carlos Mazza já foi repórter de Política, repórter investigativo, coordenou o núcleo de jornalismo de dados do O POVO e atualmente é colunista de Política

Carlos Mazza política

Usado na campanha contra petistas, MST tem maior vitória da história no Ceará

Filho de um assentamento rural no Crateús, Missias do MST (PT) tem trajetória que se confunde com a história da reforma agrária no Ceará
Missias do MST é o primeiro deputado estadual eleito pelo movimento (Foto: Reprodução/Facebook Missias do MST)
Foto: Reprodução/Facebook Missias do MST Missias do MST é o primeiro deputado estadual eleito pelo movimento

Filho de agricultores pobres de Ipueiras, Manoel Missias Bezerra deixou a cidade dos pais ainda criança. Naquela época, a família buscava trabalho, teto e oportunidades para produzir o próprio sustento, algo de difícil conquista para trabalhadores sem terra. O êxodo dos Bezerra iria acabar só em 1993, quando se mudaram para uma ocupação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Crateús, nos Inhamuns.

A história desse e de outros assentamentos da reforma agrária no Ceará se confundem com a de Missias do MST (PT), eleito no domingo como primeiro deputado “filho” do movimento no Ceará. A vitória do petista, que obteve 44.853 votos em 182 municípios, ocorre no mesmo ano em que adversários de Elmano de Freitas (PT) e Camilo Santana (PT) usaram o movimento para ataques contra as candidaturas petistas na campanha.

“Entrei para o MST com nove anos”, diz Missias. Naquela época, muitas fazendas da região eram consideradas em estágio avançado de desertificação e, por isso, acabavam abandonadas. Os “lonas pretas”, no entanto, conseguiram a desapropriação das terras anos depois, após processo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Hoje, a região produz castanha, polpa de fruta, queijo e carnes, “tudo na base orgânica”.

“Foi uma vitória importante, porque sou assentado da reforma agrária, filho de agricultores sem terra e sou assentado. Morei dois anos debaixo de lona preta, em acampamento”, diz o deputado eleito. Educado em meio a militantes do MST, Missias continuou os estudos em Minas Gerais também graças ao movimento, se formando em administração pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) junto com outros integrantes do grupo.

Agora, o deputado estadual eleito diz que lutará para que outros homens do campo também tenham a melhora de vida que a reforma agrária trouxe para a sua família. “Os ataques que fizeram na campanha foram muito mais para tentar trazer essa imagem do MST que as elites sempre tiveram, de um movimento antidemocrático, terrorista”, diz Missias.

“Na verdade a gente só luta por dignidade, pelos que mais precisam. Foi isso que o MST fez quando doamos mais de 70 toneladas de alimentos para as pessoas mais pobres durante a pandemia”, continua o petista. “A gente conseguir nosso mandato trouxe isso, o reconhecimento que o povo cearense vem tendo de que o MST é importante”, diz.

Com representação do MST pela primeira vez no parlamento, Missias destaca que toda crítica contra o movimento não passará mais sem resposta. “Tenho clareza do projeto que defendo e de que lado estou. Aprendi no movimento a aceitar e respeitar, mas jamais permitirei que venham atacar nossa imagem, muito menos trazer falácias. Qualquer um que se atrever com certeza terá imediatamente a minha resposta”, afirma.

A eleição de Missias foi comemorada pelo governador eleito do Ceará, Elmano de Freitas. “Fiquei muito feliz de termos o Missias, jovem, que eu conheço de perto, filho de assentados. Isso expressa o avanço organizativo e de aperfeiçoamento dos agricultores do Ceará, você ter um filho de assentados que é formado e vira deputado estadual”, diz.

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