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Colunista de política, o jornalista Carlos Mazza coordena o O POVO Dados, núcleo que trabalha com reportagens a partir de bancos de dados. Já foi repórter de Política e repórter especial do O POVO.

CarlosMazza • Opinião

Ciro e Tasso: vai dar namoro?

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Na tarde desta segunda-feira, a Assembleia Legislativa do Ceará realiza, às 15 horas, um debate em comemoração dos 30 anos da atual Constituição do Ceará, promulgada em 5 de outubro de 1989. Mais do que o evento em si, a agenda chama a atenção pela lista de convidados: além do jornalista Kennedy Alencar e do presidente da Casa, Dr. Sarto (PDT), são dados como confirmados no evento os ex-governadores Ciro Gomes (PDT) e Tasso Jereissati (PSDB).

Este será o segundo encontro público entre Ciro e Tasso em pouco mais de três meses. Em julho, em outro evento da Assembleia, os dois ex-aliados rasgaram elogios mútuos, com Ciro chegando a chamar o tucano de "um dos maiores cearenses de todos os tempos", provocando aplausos animados da plateia. Os elogios não pararam por aí, com o prefeito Roberto Cláudio (muitas vezes escudeiro fiel do cirismo) destacando o trabalho de Tasso na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

No evento de hoje, são prováveis novos elogios e juras de amor entre os dois líderes, desde o início do ano em processo aberto de reaproximação. Aliados desde os anos 1980, quando Tasso ajudou a alçar Ciro à Prefeitura de Fortaleza, os dois romperam politicamente ainda em 2010, após intervenção comandada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em prol da chapa Eunício Oliveira (MDB) e José Pimentel (PT) no Senado.

Desde a volta de Tasso ao Senado em 2015, no entanto, os dois vão trocando sinais de reconstrução da relação, o que ganhou novo ritmo a partir deste ano, quando Cid Gomes (PDT) defendeu abertamente a eleição do tucano para a presidência do Senado. "Existe o sentimento de colocar o Senado como um poder independente, compreendendo o papel relevante que terá de poder moderador, de manter estabilidade para o País num governo de muita imponderabilidade. Tasso é um nome que traduz esse sentimento", dizia Cid. Em fevereiro, o próprio Ciro confirmou em entrevista que foi procurado pelo senador, que o convidou para "tomar um café".

Político faz política

Mais do que a real deferência existente entre os dois líderes, conhecidos de décadas, a reaproximação entre Tasso e Ciro carrega também curioso componente político. Nos bastidores, o que se comenta é que os afagos mútuos não deverão ficar restritos apenas a discursos e eventos públicos, mas que podem também se converter em alianças eleitorais futuras. Muita gente está de olho nos desdobramentos desse cenário.

Atualmente, caminha em Fortaleza uma articulação que busca retirar o DEM, hoje com o vice-prefeito Moroni Torgan, da chapa do candidato de Roberto Cláudio e do pedetismo à sucessão na Capital. Com articulações envolvendo até a migração do deputado oposicionista Capitão Wagner (Pros) para a legenda, processo tem sido tocado mais por Brasília do que pelo Ceará, priorizando interesse nacional do DEM em se afastar de alianças com lideranças de esquerda, como o PT de Camilo Santana. A tese defendida é, muito mais do que apoiar um ou outro candidato, retirar o partido da chapa de RC na disputa.

Atualmente, o PSDB cearense planeja lançar candidatura própria para a disputa, sendo hoje o ex-deputado Carlos Matos um dos nomes mais cotados. Ou seja, há espaço para uma composição entre DEM e PSDB em algum momento da disputa. O que certamente atrai a atenção de Ciro e do próprio Roberto Cláudio.

O conciliador

Curioso também é que, em ambas as ocasiões, reencontros entre Tasso e Ciro deste ano ocorreram ao lado de Dr. Sarto, atual presidente da Assembleia Legislativa do Ceará. No primeiro, Sarto participava da Mesa. Neste segundo, é ele quem articula o evento. Claro que é papel do chefe do parlamento estadual promover e participar de discussões de temas de grande relevância para o Ceará, mas sempre vale o lembrete: Sarto, além de próximo dos dois líderes, mantém hoje a indicação do presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Antônio Henrique (PDT), e é pré-candidato a prefeito da Capital.

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