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Carol Zilles, sommelière, entusiasta e estudiosa de cerveja desde 2013, é fundadora e diretora da Cervejaria Capitosa, fundadora e membro da Confradelas (a maior confraria feminina do Nordeste); professora em cursos de formação profissional e de introdução; produtora de eventos cervejeiros, como o Congresso Mergulho na Cerveja, e divulgadora da cultura cervejeira, que prega o mantra

Carol Zilles gastronomia

Onde estão os pretos no mundo cervejeiro?

Tipo Opinião
@nunadhine 
é o perfil da sommelère e cervejaria Nadine França, de Recife, coordenadora do Instituto da Cerveja em Pernambuco, diretora da Confraria Feminina de Cervejas Maria Bonita e da ACervA-PE e coordenadora do Núcleo da Diversidade da Abracerva Brasil.   (Foto: divulgação)
Foto: divulgação @nunadhine é o perfil da sommelère e cervejaria Nadine França, de Recife, coordenadora do Instituto da Cerveja em Pernambuco, diretora da Confraria Feminina de Cervejas Maria Bonita e da ACervA-PE e coordenadora do Núcleo da Diversidade da Abracerva Brasil.

Os necessários debates sobre diversidade e representatividade que têm ganhado força em várias áreas da sociedade estão conquistando cada vez mais espaço no universo cervejeiro. A luta das mulheres cervejeiras, tanto as profissionais e como as consumidoras, para serem reconhecidas e valorizadas em um ambiente tão masculino já não é tão nova e conseguiu mudar paradigmas: hoje é menos frequente se ver, como era tão comum há alguns anos, propagandas de cerveja e rótulos objetificando o corpo feminino ou homens expressando abertamente ideias como "cerveja fraca de mulherzinha" ou "mulher sozinha em bar não é mulher de respeito".

As mulheres se organizam, se apoiam, criam campanhas e espaço e, mesmo que ainda bem longe de ter tratamento e oportunidades iguais às dos homens neste e em outros meios, estão começando a ter suas vozes ouvidas. Falta muito, mas os primeiros passos foram dados.

A pergunta agora é: onde estão as pessoas pretas no universo da cerveja? Quem são elas? Como estão sendo retratadas? Mesmo com todos os debates que começaram a ser feitos, muitos despertados pelo movimento "vidas pretas importam" (iniciado nos EUA depois do assassinato cruel de um homem preto por um policial), na semana passada grande parte dos envolvidos no universo profissional das cervejas artesanais se chocou com a notícia do vazamento de conversas de um grupo de WhatsApp, supostamente exclusivo para homens cervejeiros, que trazia falas de cunho fortemente racista. E não foi a primeira demonstração de ódio gratuito às pessoas pretas no segmento.

Há cerca de um mês, a cervejaria Implicantes, no Rio Grande do Sul, idealizada e gerida por negros e que se coloca no mercado como a primeira cervejaria negra do Brasil, criou um financiamento coletivo para que seus clientes e apoiadores a ajudassem a superar os percalços da pandemia. Até aí, tudo certo, não fosse a chuva de comentários racistas e violentos que sofreu em suas redes sociais. O curioso é que o tiro saiu pela culatra e a repercussão acabou por ajudar a cervejaria a atingir sua meta financeira, mas não sem muitos feridos no caminho.

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Hoje é praticamente impossível fechar os olhos para esse debate sem sofrer as consequências disso e qualquer profissional do ramo cervejeiro que quiser ter sucesso no mercado terá de olhar a sociedade em sua pluralidade. E mais: todos temos de entender que racismo não uma questão de opinião, racismo é crime. Para conhecer um pouco mais sobre quem são os profissionais negros da cerveja e compreender melhor o que tem sido discutido a respeito, indico alguns perfis no Instagram. Confira nas imagens.

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