Chico Araujo é cearense, licenciado em Letras, professor de Língua Portuguesa e de Literatura brasileira
Chico Araujo é cearense, licenciado em Letras, professor de Língua Portuguesa e de Literatura brasileira
Ela é linda. Tem sensibilidade rara. Toca piano, violão, guitarra. Compõe canções que impressionam pela poética e pela musicalidade. Enquanto canta, encanta.
A jovem Yayá Vilas Boas, sem perder sua ternura, vai deixando o jeito de menina e cada vez mais se integrando na mulher que já é.
Uma mulher determinada, propondo legítimas questões nas canções que cria e que a revelam uma fortaleza quanto às suas convicções, sob inspiração modelar, creio, de sua mãe, Keyla Barbosa.
Yayá já voa, livre, entoando seu canto de timbre próprio, tocando a imensidão do universo, vibrando paz em seu novo tempo que é agora, tocando em frente um legado recebido de seu pai, Edinho Vilas Boas.
Quem já viu ou ouviu Yayá cantando sabe quão poderosa é sua voz inequívoca. No domínio de técnicas, Yayá às vezes canta com voz mansa, creio que buscando tocar a sensibilidade de sua plateia, às vezes libera um vozeirão meio rouco e firme, agora fazendo denúncias sobre o modo de viver da humanidade.
Tocando as teclas do piano, faz soar notas e acordes tênues, leves e intensos - brilhos, sorrisos e gritos em sua musicalidade.
Yayá subiu ao palco do Theatro Via Sul no recente 30 de janeiro com seu show intitulado CRUA, show que ela mesma declara ter caráter intimista - pelas músicas selecionadas para o momento ela foi a cada instante tecendo uma bem estruturada teia reveladora de seu mais profundo valor como artista que é do canto universal cearense.
A surpreendente Yayá se impôs um lindo, sensível e arriscado desafio já na abertura do show: à capela, no centro do palco, respirou fundo e entoou brilhantemente a canção "Sangrando", de Gonzaguinha.
Ela soltou a voz e todos os presentes entenderam que diante deles estava uma intérprete se entregando a seu mister musical, destacando o seu "jeito de viver o que é amar". Ousada e brilhante abertura aplaudida efusivamente pela plateia.
A partir daquele início deu para saber que quem estava no palco era uma artista plenamente conectada com o público ali em frente. Yayá vislumbrou a beleza do momento e não se furtou a interagir com ele.
Sua presença no palco foi marcante, uma presença nitidamente denunciante de que sobre ele exercia seu domínio com sensibilidade mágica. Entrega plena, corpo e alma íntegros em exercício largo de profunda verdade por meio da música.
Durante o espetáculo, Yayá foi trazendo para a sua companhia artistas como Jeff Portela, Cláudio Mendes, Luh Lívia, Claudine Albuquerque, Alek Martins, Mateus Mozart, Edinho Vilas Boas e Vinicius Vilas Boas.
Foi uma noite de espetáculo memorável, no qual essa jovem e já experiente intérprete e compositora cearense – também afeita a festivais - foi desfiando um novelo melódico plural, com variações de estilos musicais (balada, rock, rap, samba, axé), levando para o palco, além de Gonzaguinha, Liniker, Gilberto Gil, Belchior, Edinho Vilas Boas.
Yayá a cada dia sedimenta mais seu nome entre grandes musicistas do Ceará para o Brasil e para o mundo, em apresentações solo ou aparceiradas com a magistral Família Vilas Boas, em que soma sua cena à de seu pai Edinho e a de seu irmão Vinicius.
Cada um deles, separados, é extraordinário; juntos são magistrais.
Se você não viu o show CRUA no Theatro Via Sul, em 30 de janeiro, pode assistir a uma versão primeira dele na página da cantora no YouTube, ou em PALCO ABERTO - YAYÁ VILAS BOAS - CRUA, gravação feita em 2025 para o programa “Palco Aberto”, na TVDD, TV ligada à Casa de Vovó Dedé.
Nesse show Yayá está muito bem acompanhada pelo músico, compositor, arranjador e produtor musical Thiago Almeida. Vale cada segundo dispendido para a assistência.
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