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Portas abertas para o futuro
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Reitora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), é graduada em Ciência da Computação, mestrado em Engenharia Elétrica, pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), doutora em Engenharia Elétrica e da Computação, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Pós-Doutorado, no Massachusetts Institute of Technology (MIT/EUA)

Portas abertas para o futuro

As universidades públicas democratizam o acesso ao conhecimento e alcançam estudantes que historicamente estiveram afastados desse espaço. A política de cotas é parte fundamental dessa transformação
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Na parcial do 2º dia, cursos mais disputados têm notas acima de 860 no Sisu 2026. (Foto: Divulgação / MEC)
Foto: Divulgação / MEC Na parcial do 2º dia, cursos mais disputados têm notas acima de 860 no Sisu 2026.

Poucas políticas públicas no Brasil têm um impacto tão profundo na mobilidade social quanto a educação superior pública, gratuita e de qualidade. O Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que em 2026 reúne mais de 274 mil vagas em instituições públicas de todo o país, nos lembra que cada vaga ofertada representa a possibilidade concreta de mudança de trajetória, não apenas individual, mas também familiar e comunitária.

Em um país historicamente marcado por desigualdades de renda, origem social e território, a educação superior segue sendo o principal mecanismo de ruptura de ciclos de pobreza. O relatório Education at a Glance 2025 (OCDE), confirma esse papel estratégico. No Brasil, mais de 40% dos adultos com diploma recebem mais que o dobro da média salarial nacional, um dos maiores percentuais entre os países avaliados. Além disso, a renda de quem conclui a graduação pode ser até 148% maior do que a de quem possui apenas o ensino médio.

As universidades públicas democratizam o acesso ao conhecimento e alcançam estudantes que historicamente estiveram afastados desse espaço. A política de cotas é parte fundamental dessa transformação. Ao ampliar o ingresso de estudantes de escolas públicas, de baixa renda, pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência, as ações afirmativas tornaram o ensino superior mais representativo e justo. Dados recentes do Inep mostram que estudantes cotistas apresentam taxas de conclusão iguais ou até superiores às de não cotistas, reforçando que acesso e qualidade caminham juntos.

Garantir acesso é fundamental, mas assegurar permanência estudantil e formação de qualidade é igualmente importante. Quando essas condições são atendidas, cria-se um ciclo virtuoso: mais brasileiros qualificados, maior dinamismo econômico, redução das desigualdades e fortalecimento do próprio sistema educacional.

No campo científico, as universidades públicas são responsáveis por mais de 90% da pesquisa científica nacional. Desta forma, elas contribuem diretamente para a formulação de políticas públicas, o fortalecimento do SUS, o avanço tecnológico e a redução das desigualdades entre regiões.

Ainda assim, a educação segue sendo alvo de disputas políticas. A desqualificação das universidades públicas, os ataques às políticas afirmativas e a instabilidade no financiamento ameaçam um dos poucos caminhos comprovadamente eficazes de promoção da mobilidade social no país.

Defender as universidades públicas é defender um projeto de país em que o lugar de origem não determina o destino. A educação superior continua sendo uma das mais poderosas ferramentas de transformação social do Brasil e precisa ser tratada como prioridade permanente.

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