Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (2009), mestre (2012) e doutor (2016) em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFC. Apresentando interesse pela Sociologia Política e Ciência Política. Pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (Lepem-UFC), atua como palestrante e analista político, colaborando com movimentos sociais, associações e imprensa
A história das disputas municipais ensina que é importante captar as tendências do eleitorado. O povo busca mudanças? O grupo da situação demonstra "fadiga de poder"? A oposição consegue cativar o eleitorado?
Foto: Divulgação
TSE encerra testes públicos de urnas para as eleições de 2024
Ao dialogar com jornalistas que cobrem o mundo da política, uma questão pairou no ar e suscitou a reflexão presente nas próximas linhas: qual o peso que as máquinas públicas terão nas eleições 2024? Apesar da fiscalização e de inúmeras restrições legais, sabemos que os atuais gestores ou os seus indicados acabam tendo vantagens significativas na disputa, principalmente se considerarmos o cenário de pobreza da população. Mas isso seria suficiente para garantir o sucesso eleitoral? Depois dos últimos terremotos da política brasileira, ficou claro que o sucesso nas urnas envolve uma série de fatores para além da máquina governamental.
Temos uma tradição de situacionismo quase magnético, ou seja, aquele que ocupa os espaços institucionais exerce forte poder sobre os munícipes. Dificilmente alguma liderança abre mão dessa prerrogativa. Faz parte do jogo a manutenção de um grupo político. É o legado de uma administração que está sendo avaliado. A força começa pelo grande exército de servidores, terceirizados e prestadores de serviço ligados à gestão municipal. Homens e mulheres que têm algum tipo de interesse na continuidade da administração, seja para obter um cargo de chefia ou mesmo garantir o emprego.
O apoio da base de vereadores também deve ser levado em consideração. Os partidos (ou grupos) acabam geralmente seguindo a situação. O empresariado, sempre em busca de brechas e benesses, foca nos que estão próximos ao governo. Entretanto, a equação só segue essa lógica se, o governo em questão, tiver boa avaliação da sociedade. São inúmeros os casos em que a candidatura tinha o apoio da máquina municipal e acabou perdendo a eleição. Já tivemos também "duelos de máquinas" (estadual ou federal) com outsiders vencedores.
Em todo caso, a história das disputas municipais nos ensina que é importante captar as tendências do eleitorado — o povo busca mudanças? O grupo da situação demonstra "fadiga de poder"? A oposição consegue cativar o eleitorado? Não podemos esquecer que, na eleição, se vende uma promessa de futuro — uma visão da cidade. O escolhido é aquele em que a maior parte do eleitorado acredita que tenha capacidade para colocar um projeto concreto em ação. Isso não se faz somente com a máquina, mas com criatividade, energia coletiva e conhecimento dos problemas locais.
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