É editor de cultura e entretenimento do O POVO. Sua coluna, publicada todos os dias, trata de economia, política e costumes a partir de personagens em evidência no Ceará, no Brasil e no mundo.
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Quem criou o caldo de caridade certamente já conhecia o vazio, quase espirital, que a ressaca promove, ainda mais depois dos 40...
Foi essa mistura simples, nordestinamente concebida, que me salvou no domingo, pós-Carnaval da Saudade.
Pela 58ª vez, o Náutico Atlético Cearense realizou o mais longevo e tradicional baile momino do Estado, reunindo gerações para uma noite que homenageou o multicultural Fausto Nilo.
A presença do cultuado arquiteto, compositor, músico, poeta e pensador da realidade levou muitos nomes de expressão ao evento, gente que há tempos não se via por aquelas colunatas históricas do equipamento.
Espaço reservado para Fausto e amigos funcionou como "privê" ao lado do salão principal, onde se via Amarílio Macêdo e Patrícia, Sandra Pinheiro e Pedro Ferreira, Fábio Campos e Luciana, Jocélio Leal, Silvia Góes e Giovanni Pimentel, dentre outros nomes. Trajavam t-shirt marinho com gravura do autor de "Bloco do Prazer", "Chão da Praça", "Coisa Acesa", "Zanzibar"....
O Carnaval brasileiro deve, e muito, a Fausto!
Presidente Henrique Vasconcelos conduziu a cerimônia de abertura, com prefeito Evandro Leitão e presidente da Câmara Municipal, Léo Couto, "entronizando" a Corte Momina com a entrega simbólica da chave de Fortaleza ao Rei Momo. Neste momento, cantava Lídia Maria, que há dez anos criou um projeto musical chamado Bloco do Prazer, com repertório todo saído da mente - fascinante - de Fausto Nilo.
A chuva, sempre ela, até tenta esmurecer os foliões, mas Carnaval é dentro da gente. Ninguém arredou o pé até que Rômulo Santaray e orquestra Xêrus e Beijos pudesse dar sequência à noite que, nesta edição, começou mais cedo do que no passado, 20h, finalizando às 3h, mudança que, certamente, tem suas razões e benefícios, embora eu achasse super-nostálgico sair com o dia amanhecendo e com a famosa canja na mão, como fiz por muitos anos...
Turminha de chiques compôs mesa no Salão Nobre, área climatizada, a convite de Igor Queiroz Barroso e Aline, que me falavam da importância de manter a tradição do baile e do repertório de marchinhas e frevos frente a tantas influências de outros ritmos que vêm ganhando espaço nos fevereiros, como é o caso do onipresente - e mais do que insisitente - sertanejo.
Compunham a mesa Lisandro Fujita e Eveline, Max Bezerra e Rilka, Carlos Pereira e Carla Sofia, Fernando Novais e Ana Virgínia, Mariana e Adolfo Bichucher.
Eu e Anelise apostamos num visual com um "quê" de salões do passado, também uma pegada Great Gatsby e ainda um toque dos filmes que retratam a máfia italiana, estilo muito visto na animada pista. Casal no mesmo esquema veio se apresentar a nós como os imigrantes italianos da família Vorcaro em sua chegada ao Brasil - adoro essa capacidade do brasileiro de fazer piada e carnavalizar a realidade, por mais dramática que seja...
Para quem não ligou os pontos, o super-falado Daniel Vorcaro (fundador do Banco Master e apontado como pivô de um dos maiores escândalos financeiros da história do País) é neto de Serafim Vorcaro, pastor protestante que imigrou da Itália e estabeleceu raízes em Minas Gerais, "capisce"?
...E no meio de tantos blocos belíssimos, fantasias trazidas dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, senhoras trajadas com kaftãs do Marrocos e cabeças de Jomara Cid (como a sempre chic Eugênia Almeida), turmas de faraós, palhaços, melindrosas, bambans e pedritas e brilho, muito brilho, uma presença chamou atenção...
Com apenas uma folha cobrindo "a frente" e outra cobrindo "atrás", presas num macacão de tule, o folião incorporava o personagem Adão. A serpente do Paraíso veio enrolada no pescoço. A cena lembrou-me os antigos bailes retratados na revista Manchete, nos anos 80, quando havia muito mais ousadia nas produções e nas cabeças...
E é isso... Cada um que cuide da sua vidinha, seja no Carnaval ou fora dele, lição que recebi em casa.
Foi uma noite como sempre bonita, nostálgica e feliz. Viva o Zé Pereira, viva, viva. viva!
Cenas...
(Foto: CLOVIS HOLANDA)Rilka Bezerra, Ana Virgínia Furlani, Anelise Holanda, Aline Barroso, Eveline Fujita, Carla Sofia e Mariana Bichucher
(Foto: CLOVIS HOLANDA)Fernando Novais, Max Bezerra, Carlos Pereira, Adolfo Bichucher, Igor Queiroz Barroso e Lisandro Fujita
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