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É editor do conteúdo social produzido e publicado pelo O POVO. Sua coluna trata de economia, política, cultura e sociedade a partir de personagens em evidência no cotidiano do Estado e do País.

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Entrevista: Pedro Neto e o futuro do entretenimento

Por
Pedro Coelho Neto
Pedro Coelho Neto

Sócio da produtora de eventos Social Music e do Fortal, Pedro Neto guarda em sua trajetória profissional capítulos importantes da história recente do Entretenimento no Ceará e no Brasil. Fortal, Villa Mix de Fortaleza e outras capitais, Réveillon do Colosso, Garota VIP e Buteco do Gusttavo Lima estão dentre as realizações, incluindo outras ações do segmento pela Europa, onde o empresário também atua. Após quarentena em Portugal, ele retorna à Cidade para avaliação e possível retomada da agenda do ano, incluindo a micareta de Fortaleza, assunto que será avaliado no decorrer desta semana. Em conversa comigo, avalia o futuro do mercado na área da diversão.


A pandemia, a seu ver, vai criar um novo padrão de público do entretenimento?

Pedro Neto: As empresas de eventos e entretenimento não têm muito como ainda se reinventar neste momento de incertezas. Estamos aguardando tudo o que vai acontecer e já está acontecendo em alguns países que já retomaram. Países como Portugal já, a partir da próxima semana, estão abrindo teatros e casas de espetáculos, então todo nós imaginamos que no segundo semestre o Brasil comece um processo de recuperação. É um processo lento, com protocolos de segurança, mas é uma retomada, nem que seja para o público viver novamente a experiência de ir a eventos. Algumas ações no mundo, como drive in, têm sido feitas, mas são ações mais de mídia, de marketing e de alternativas para não deixar o segmento sem uma dinâmica normal. Mas é muito difícil a viabilização de eventos via drive in, pode ser uma mecânica como as lives, mas não é uma solução total.

O Ceará nos últimos anos se consolidou como um polo nacional de grandes realizações, não só festivas, mas de áreas técnicas como congressos médicos e de outros setores. Que horizonte você vislumbra a médio prazo? O Estado conseguirá manter essa fatia do mercado nacional?

Pedro Neto: O Ceará é um dos principais polos do entretenimento do País. Boa parte dos grandes eventos tem suas edições acontecendo no Ceará e muito tendo iniciado por aqui no Nordeste. Somos o maior destino no Nordeste de turismo o que faz com que sejamos muito importantes em todo o setor de entretenimento do Brasil. Não acredito que se perca nada. Existe um processo de retomada, que leva um tempo, tudo depende da pandemia, ninguém consegue ter certezas de nada. Ainda tem muito a acontecer para que se possa realmente desenhar um planejamento ideal de futuro.

Do ponto de vista conceitual não temos como garantir como se dará o interesse futuro das pessoas pelas aglomerações, mas financeiramente, já se sabe que vem aí uma geração com menos dinheiro. O setor já pensa em como vai ofertar opções mais acessíveis, ou não é esta a expectativa?

Pedro Neto: A questão da aglomeração envolve vários fatores. Existem os festivais, os eventos, o segmento de shows envolve várias faixas da população. Tem um público mais jovem, mais velho, mais popular, e cada um destes públicos tem um perfil diferente quando se trata de aglomeração. O jovem, por exemplo, não faz muito sentido ir para eventos e não puder gerar relacionamento. E o jovem, de certa forma, vai ser e está sendo o principal público a se imunizar rapidamente, então teremos um comportamento dos jovens muito diferente de um público mais velho, acima de 60 anos, que vai para eventos em teatros, com cadeiras marcadas e vários protocolos. Os protocolos nós vamos viver com eles para sempre. Mesmo passando a pandemia do coronavírus, mudamos e mudaremos nossos habitos higiênicos e de cuidados mínimos com relação a manter as mãos limpas, cuidados com comidas e bebidas. Os espaços públicos serão cada vez mais exigidos com dispositivos de álcool em gel, enfim, toda essa mudança vai acontecer em qualquer espaço de circulação. Cada vez mais as áreas abertas serão mais valorizadas, enfim, são coisas naturais que devem acontecer no mundo todo.

Para quem sempre teve uma vida tão agitada e cercada de pessoas, como tem sido este período de isolamento? Como está sua rotina? O que você tem feito, descoberto, criado?

Pedro Neto: A vida isolada em família tem um prazer fantástico também. Nos deu a oportunidade nessas 90 dias de um convívio muito interessante, ver os filhos tendo aulas online, fazer programações com eles depois, tem sido muito prazeroso. Não temos nenhuma sensação ruim, ou de saudade, ou de querer estar na rua. Os amigos a gente encontra pelas videoconferências. O tempo foi muito curto para que a gente ainda não esteja curtindo ficar próximo da família. É óbvio que o momento de pandemia é crítico porque existe toda uma ansiedade de estarmos bem, dos nossos amigos e entes estarem bem, e isso causa em algum momento aflições. Mas a gente busca em casa momentos de leveza e outras programações para manter nossa mente num astral de felicidade. Procuro não ver notícias o dia inteiro, escolho um momento para me informar, para não ficar pensando nisso o dia inteiro.

Um dos acontecimentos mais tradicionais do calendário local é o Fortal, que ainda não foi oficialmente adiado. Vocês trabalham com quais possibilidades em relação à micareta?

Pedro Neto: Teremos uma posição oficial esta semana, por enquanto é o que posso afirmar. 

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