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Daniel Maia é professor doutor de Direito Penal da Universidade Federal do Ceará (UFC), sendo também advogado criminalista e colunista semanal do O POVO

Opinião

Educação à distância, uma evolução necessária

Na vida quase tudo evolui. Coisas materiais, procedimentos médicos, a engenharia e diversas outras ciências mudaram muito e avançaram ao longo dos anos. Um carro de 50 anos atrás não tem quase nada a ver com os carros atuais; um aparelho telefônico antigo não possui qualquer semelhança com um smartphone atual e assim poderíamos citar inúmeros exemplos a mais de que com o tempo quase tudo evolui.
Entretanto, no que se trata à educação formal do mundo ocidental quase nada se modificou nos últimos 100 anos. As carteiras em salas de aulas enfileiradas lado a lado são o retrato do retrógrado modelo que ainda é adotado na extrema maioria dos colégios e até mesmo nas universidades de vanguarda de todo o mundo. E não é somente isso, a obrigação de avaliação com provas tradicionais e o próprio ensino pouco inclusivo e com um viés, às vezes, carregado por um ranço de um autoritarismo professoral absolutamente incompatível com o atual estágio de avanço aos direitos individuais e respeito às pessoas como serem humanos.
Nesse contexto, a pandemia obrigou às instituições, professores e alunos a efetivarem um importante passo que é o ensino remoto, ou seja, à distância, por meio do ambiente virtual. Isso não apenas para as tradicionais aulas, mas também para encontros de pesquisa, ações de extensão e apresentações de trabalhos científicos e bancas de graduação, mestrado e doutorado que ocorreram por meio virtual. Essa evolução já era necessária e já deveria ter ocorrido naturalmente há muito tempo.
Obviamente, que essa nova realidade para a educação, em especial para a educação brasileira e pública, a qual sofre com os escassos investimentos estatais, está sendo dramática, uma vez que muitos professores jamais tiveram qualquer tipo de curso preparatório ou de aperfeiçoamento que lhes permitissem formatar uma aula minimamente eficiente e atrativa para os alunos. Já estes, em muitos casos, não possuem a mínima estrutura para poder acompanhar as aulas, alguns não possuem aparelhos que permitam acessar a internet, como smartphones e computadores, já outro sequer possuem uma rede de internet na sua casa.
Esse contexto problemático precisar ser resolvido imediatamente pelo Estado, com prioridade, afim de que o verdadeiro fosso entre o ensino público e o particular, que já é demasiadamente grande, não aumente ainda mais, tornando-se insuperável e fomentando o agravamento das diferenças sociais para a próxima geração.
Isso não pode esperar!

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