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Jornalista, é mestra em Estudos da Tradução (UFC), especialista em Tradução (Uece) e pós- graduada em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais (Estácio FIC). No O POVO, já atuou como ombudsman, editora de Opinião, de Capa e de Economia, além de ter sido repórter de várias editorias.

Daniela Nogueira linguagem e comunicação

Eleições 2020

Tipo Análise

A cobertura do dia das eleições prometida pelos veículos de comunicação inclui análises diversas, notícias da apuração em tempo real, mobilização de grande parte dos jornalistas e, claro, muitas lives. Durante toda a campanha até este domingo, os jornais e portais têm se desdobrado para cobrir as especificidades de um pleito desenrolado numa pandemia. É inegável o esforço dos jornais e jornalistas para mostrar ao público que estamos diante de uma situação sanitária grave, mas que, no meio dela, há um momento pontual do qual não se pode fugir.

Não sai covid e entram eleições (ou não deveria ser assim). Ambos os assuntos estão caminhando paralelamente na imprensa, por mais que um ou outro mereça particular destaque a depender da factualidade que se apresente. Ainda estamos em uma pandemia, com números de casos e mortes preocupantes e isso não deve ser esquecido.

O POVO tem feito um bom trabalho nas eleições, com cobertura das notícias além de análises em perspectiva. Textos, vídeos e áudios têm sido produzidos com constância pelas equipes, revelando que o diálogo entre as mídias é necessário e irreversível. O foco nas candidaturas à Prefeitura de Fortaleza é notório, haja vista ser a capital cearense e a concentração de grande parte dos eleitores do Estado.

A cobertura da campanha nas cidades do Interior ainda precisa de atenção. São 184 municípios no Ceará. Não há equipes nem recursos suficientes para atuar em todos eles, porém alguns mais estratégicos deveriam receber um olhar mais cuidadoso do jornal.

Checagem

Não se pode negar, no entanto, que, durante a campanha, houve um esforço do jornal para cobrir algumas dessas cidades. Houve debate com os candidatos às Prefeituras de Caucaia, Juazeiro do Norte e Barbalha, pesquisa de intenção de voto também para Caucaia e Maracanaú, divulgação de pesquisas para as Prefeituras do Crato, de Barbalha e de Juazeiro do Norte, além de especial atenção às notícias das cidades da Região do Cariri.

A propósito, a divulgação de pesquisas é um dos pontos altos da cobertura. O POVO encomenda ao instituto Datafolha, e a espera pelos resultados gera sempre uma expectativa positiva para a repercussão.

Para a Prefeitura de Fortaleza, O POVO contratou cinco vezes a pesquisa neste primeiro turno. A primeira foi feita nos dias 14 e 15 de outubro. A segunda, em 26 e 27 de outubro. Houve outra nos dias 4 e 5 de novembro. E mais uma divulgada na semana passada, na quarta 11/11. A última saiu neste sábado,14.

A falta de um debate entre os candidatos à Prefeitura de Fortaleza foi sentida. O jornal fez uma série de entrevistas - desde a pré-campanha - com os candidatos, divulga a agenda de cada um, acompanha o dia a dia dos prefeituráveis. O debate, entretanto, é o momento em que se mede o potencial argumentativo de cada um, em que se avalia o confronto das propostas, em que se pode ver o candidato atuando, respondendo, perguntando, sob pressão.

Outro artifício que deveríamos ter usado com mais eficiência são as ferramentas de checagem, nas quais O POVO é competente. Com tantas mentiras à solta, perdemos espaço para que os aplicativos de mensagens e redes sociais sejam meio de compartilhamento de boataria. Precisamos agir mais rapidamente com um canal de checagem de notícias mais firme para receber denúncias, apurar e publicar com mais frequência.

Segundo as pesquisas, ainda teremos mais duas semanas de campanha por aqui.

Amapá

Enquanto as cidades dos demais estados decidem seus prefeitos e vereadores, o estado do Amapá segue com racionamento de energia elétrica, sob protestos e em um imbróglio judicial para pagar a conta da calamidade que continua no estado. E sem eleições, diferentemente do que havia sido garantido no início da semana passada pelo Governo.

Como tem sido o dia a dia da população amapaense? Como está o transtorno por lá? Quantas manchetes, ao longo desses dias, os jornais e portais brasileiros, que já desconhecem limites e divisas, dedicaram para o tema que está tão perto de nós?

A mídia dita alternativa parece estar noticiando mais do assunto que a mídia tradicional.

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