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Jornalista, é mestra em Estudos da Tradução (UFC), especialista em Tradução (Uece) e pós- graduada em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais (Estácio FIC). No O POVO, já atuou como ombudsman, editora de Opinião, de Capa e de Economia, além de ter sido repórter de várias editorias.

Daniela Nogueira linguagem e comunicação

Redações híbridas

Tipo Opinião

Quando a situação aparente sinalizava uma melhora nos casos de Covid-19 e mortes pela doença, uma alta voltou a ocorrer e fez todos lembrarmos que a guerra não havia acabado. Recuamos todos. O Jornalismo, que tanto foi desafiado neste ano, encontra maneiras, neste tempo de narrativas tão imprevisíveis, de comunicar bem e de informar com qualidade, independentemente de onde estão os seus profissionais.

Na semana que passou, eu acompanhava uma discussão se já havíamos consolidado o modelo de "Redação híbrida", uma expressão luxuosa para se referir à forma como temos trabalhado nesta pandemia - grande parte em casa e boa parte no local de trabalho.

Com o distanciamento social, em que começamos a trabalhar todo o tempo a partir de casa, adaptando-nos à rotina entre a prática jornalística e os afazeres domésticos, alguns passaram a vivenciar novas formas de comunicar.

É certo que os jornalistas nunca saíram totalmente das Redações. Os telejornais continuaram sendo exibidos dos estúdios, alguns profissionais ainda tiveram de editar páginas a partir das Redações impressas, outros precisaram ir até o veículo para gravar. Mas o deslocamento do jornalista e de demais profissionais diminuiu muito com o ápice dos casos e passamos a conhecer o ambiente de gravação doméstico de alguns jornalistas, por exemplo.

Há pouco tempo, os jornalistas começaram a voltar de forma alternada aos seus ambientes de trabalho e isso coincidiu com a diminuição do número de casos e talvez uma ilusória sensação de que estaríamos um pouco mais seguros. Retornamos às nossas casas. Não é a hora ainda. Como isso impacta na prática do Jornalismo e no funcionamento das Redações?

Equipes

É explícito que este tempo de afastamento físico não deve ser encarado da mesma forma para uma empresa jornalística, que não cessa suas atividades. O produto continua, a informação precisa ser mais respaldada e robusta para abastecer o leitor. E isso foi tão massivo nesta pandemia que uma parte do público até se afastou das notícias de tanto que o Jornalismo produziu.

Mesmo menores fisicamente, as Redações não pararam. O desafio que se lança - e para o qual não temos respostas fáceis, por mais que devêssemos refletir seriamente sobre o futuro que queremos - é que tipo de Redação teremos. É suficiente uma equipe que trabalha remotamente?

Talvez até seja satisfatório para a construção do produto, para a entrega da edição para o público. Muitas vezes, o leitor em geral nem percebe de onde aquele texto foi feito. Mas os profissionais de uma Redação que se encontra, que compartilha conhecimento, que divide experiências e que promove o diálogo debatem ideias e formam relações mais estáveis entre si.

Devemos, sim, respeitar e seguir protocolos sanitários e manter o afastamento por todo o tempo necessário. No entanto, prolongar a cultura da comunicação virtual sem um cuidado com a saúde mental dos profissionais desgasta ainda mais o bem-estar emocional dos profissionais. Lidar com a cobertura de grandes eventos e tragédias, como o novo coronavírus, para os quais nunca estamos preparados, exige um ritmo de produção cotidiano, com horas seguidas de trabalho, em uma rotina que os jornalistas de Redação já conhecem. Quando esse cansaço resulta em esgotamento, nada flui bem.

Por isso, os veículos de comunicação precisam manter um amparo também emocional aos seus profissionais, cientes de que são do excesso de jornadas, das condições de trabalho exaustivas e da qualidade de vida deficitária que muitos levamos.

Se para a maioria dos profissionais, é muito tênue a linha que define o entendimento de quando o turno do trabalho vai começar ou terminar quando se está em casa, para o jornalista isso é ainda mais delicado, porque a notícia está acontecendo a toda hora. Neste momento, com as Redações domésticas, o Jornalismo se intensifica, mostra sua força com a produção de notícias de forma responsável e sob a preocupação de informar bem ao público. Essa valorização, no entanto, não cresce na mesma proporção quando se coloca a lupa sobre o profissional.

 

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