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Da indignação e do vazio da transformação
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Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho é graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e doutor em Cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP). Professor-associado da UFC, tem experiência na área da medicina, com ênfase em cardiologia, atuando principalmente nas áreas de sistema nervoso autônomo, sistema cardiopulmonar e doença de Chagas. Foi secretário de Saúde do Ceará entre 2019 e 2021

Dr. Cabeto opinião

Da indignação e do vazio da transformação

O que é ser de esquerda ou de direita? Em síntese, entendo que tais denominações, com alguma frequência, relacionam-se à nossa insistente necessidade de dar nomes, de batizar padrões
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Tenho acumulado ao longo do tempo, uma coletânea de eventos que ilustram a minha vida como profissional de saúde.

Numa conversa, era um amigo de muita identidade em relação as desavenças do viver, das experiências passadas, cada um a sua forma, quer representassem as concepções de vida de cada um de nós, quer divergíssemos sobre conceitos.

São eles tão frágeis a ponto de nos aproximar. Cada qual em cada espaço, mas o que nos unia era o bem querer.

Em alguns momentos nossa conversa foi algo áspera. Mas, terminou com ternura, tipo eu gosto muito de você.

Enfim, o que me ficou claro; cada um defende sua experiência e seu arcabouço de regras, conceitos e preconceitos.

Num dado momento ele perguntou-me: Cabeto o que é ser de esquerda ou de direita?

Não hesitei em dizer que cria na ciência com certo comedimento, com a capacidade de atualizar a realidade, ou mesmo, traduzir os fatos baseados em conceitos epistemológicos, de acordo com as circunstâncias de cada época.

Em síntese, entendo que tais denominações, com alguma frequência, relacionam-se a nossa insistente necessidade de dar nomes, de batizar padrões.

Então, falei-lhe da minha percepção, da nossa incapacidade de conviver com o não palpável.

Enfatizei que prefiro crer na efetividade das ações, que se traduzem em mudanças, e não nomeá-las como forma de acalentar as nossas inseguranças.

Em seguida ele argumentou: Cabeto, para mim, de esquerda é quem deseja a mudança.

Fiquei imediatamente surpreso, quando percebi que na minha experiência não havia conhecido ninguém que realmente desejasse mudança, excluo desse contexto, os desvalidos. Embora, esses sejam presas fáceis da manipulação.

Instantaneamente, busquei na psicanálise alguma explicação, na ambivalência entre o querer e o não querer ao mesmo tempo, pelo temor de perder o que lhe é familiar. Nesse prisma, o inconsciente boicota o consciente.

No campo político, o desejo de mudança é substituído por indignação, idealização, ódio ao inimigo e consequentemente pela esperança de redenção por um líder. A meu ver características semelhantes aos de “esquerda “ e aos de “direita”.

Assim, entendo o desejo intrínseco de mudar e não mudar, e, às vezes, “mudar” para não mudar.

Ao menos enquanto chega a natureza e sua maturidade.

Que assim seja!

Ps:

“Cara mesmo é a ignorância

A frase é do Brizola, respondendo às críticas do presidente Fernando Henrique sobre os gastos da educação no Rio de Janeiro.

Na minha interpretação ambos estavam certos, a educação é uma prioridade, mas é preciso analisar os resultados e corrigir rumos. Não se trata de ser esquerda ou direita, e sim de honestidade, transparência e humildade diante dos fatos.

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