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Sommelier internacional, professor de Gastronomia, mestrando em turismo gastronômico

Edilberto Costa gastronomia

A cozinha afetiva: Com amor e com afeto

Tipo Opinião
Galinhada caipira (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto: Arquivo Pessoal Galinhada caipira

vidaPare um pouco e pensa: qual comida te traz boas recordações? O cheiro do fogão à lenha, o chiado da panela de pressão, os domingos em família… pensou? Pronto, isso se chama memória gustativa, são as boas lembranças através da comida, Podemos chamar de cozinha afetiva, ou num jargão mais contemporâneo, comfort food.

Culinária afetiva é a gastronomia baseada em memórias. É experimentar um prato e rapidamente associar aquele sabor a uma lembrança gostosa da vida. Pode ser da nossa infância, do nosso tempo morando sozinho, de superações que ninguém sabe que você viveu. Culinária afetiva é aquela comida que te desperta sentimentos bons, memórias de segurança e de afeto.

Segundo a professora Susan Whitborne, especializada em ciências psicológicas e cerebrais da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, as lembranças provocadas pelos alimentos envolvem os cinco sentidos, por isso são as mais intensas. Neste caso, o conjunto de sensações também serve para explicar porque o sabor de uma torta ou o aroma de um frango, por exemplo, podem remeter à época em que costumávamos frequentar a casa da avó.

Tenho incentivado os meus alunos e seguidores das minhas redes sociais a pensarem nas receitas que trazem boas memórias e as desafio a executá-las. Incrível como o resultado quase sempre é um prato fantástico e carregado de emoções, pois ali tem muito amor envolvido.

Ah, querem saber qual a comida afetiva que norteia as minhas memórias? Galinhada caipira, presente em quase todos os domingos na minha casa no Interior. E era bem simples de fazer:

Minha galinhada Afetiva

A Galinha caipira cortado em pedaços e temperada com sal, pimenta e azeite, cebola, alho, coentro e cebolinha (bem muito), tomate, pimentão, sal, pimenta e colorau, são os temperos adicionais.

O frango era selado no óleo mesmo, depois todos os temperos são refogados. Cobre com água e cozinha formando um caldo maravilhoso. No final do cozimento entra o arroz que é cozido no próprio caldo da galinha.

Pronto, simples assim. Amor e afeto em forma de comida. Isso é a cozinha afetiva.

Leia também | Confira mais dicas e receitas do chef Edilberto Costa na coluna Gastronomia em Foco, exclusiva para leitores do Vida&Arte

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