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editorial • Opinião

Editorial: Sem demanda economia estanca

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O Ceará tem a tarefa de encontrar os meios mais adequados para enfrentar as enormes dificuldades que se desenham no horizonte no rastro do desastre sanitário e econômico que se abate sobre o País. Mas, parece entender que seria um equívoco enfrentar os novos desafios com o corte de gastos públicos e entregue ao piloto automático do mercado. O momento exige o contrário. Ainda ontem, o insuspeito primeiro-ministro britânico Boris Johnson disse, em entrevista a uma emissora de seu país, que pretende se inspirar no ex-presidente americano Franklin Roosevelt que, nos anos 1930, lançou o New Deal para retirar os Estados Unidos da Grande Depressão. Segundo ele, o retorno à austeridade seria um erro.

Enquanto aguardam as condições políticas para que essa questão domine o debate nacional, os governos estaduais pontuam que já vinham enfrentando as consequências danosas da política de austeridade. Depois da pandemia, tornou-se uma questão de vida ou de morte. Milhões de vidas dependem de emprego e renda para não sucumbirem. É preciso costurar um consenso mais racional, baseado na realidade, e não na pura ideologia. A sociedade tem pressa, pois, como já antevê o Banco Central, este ano de 2020 está praticamente perdido do ponto de vista econômico. No caso do Ceará, o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado (Ipece) estipula uma retração de até 5,5%. Como tudo está condicionado ao desenho estabelecido pela equipe econômica federal, a falta de investimento público para gerar emprego e renda empurra a sociedade de encontro à parede.

O Ceará tenta reagir: na última semana, o governo estadual lançou um pacote de 23 medidas tributárias em socorro às empresas e desenvolve um plano para reativar a economia após a reabertura completa das atividades, que dependem, por sua vez, da melhora dos indicadores epidemiológicos. Claro, não deixar o resto das empresas naufragar (já que no plano nacional estão sem acesso ao crédito, apesar de o Governo Federal ter entregado aos bancos R$ 1,3 trilhão para isso) é uma providência correta. O Ceará perdeu quase 100 mil empresas no último ano (-14%).

Não se tem empresa, contudo, se não há demanda. E para ter demanda é preciso que as pessoas tenham emprego e renda (a taxa de desemprego no primeiro trimestre ficou em 12,1%). Ou seja, para fazer a economia girar é preciso priorizar a sobrevivência e a renda dos mais pobres porque, diferentemente de outras camadas sociais, este é um dinheiro que é revertido imediatamente em consumo. Antes de Boris Johnson falar, especialistas cearenses ouvidos pelo O POVO, já tinham chegado à mesma conclusão: precisamos de um novo New Deal. 

 

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