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Editorial: Unilab: 10 anos de lusofonia afro-brasileira

Estamos na semana de comemoração dos 10 anos de criação da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira), 20 de julho de 2010. Sua sede foi instalada no ano seguinte, em 25 de maio de 2011, na cidade de Redenção, com suas atividades administrativas e acadêmicas desdobrando-se para a cidade vizinha, Acarape - ambas no Ceará - e para o município baiano de São Francisco do Conde. Trata-se de um marco referencial na integração de uma nação (no caso, o Brasil) com os países originários dos povos que contribuíram para sua formação cultural e histórica - no caso, os da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), especialmente os países africanos. A forma encontrada para retribuí-los foi formar seus recursos humanos, numa universidade específica, e reenviá-los às suas respectivas pátrias para que possam respaldar o seu desenvolvimento. E dando ensejo a um frutuoso intercâmbio cultural, científico e educacional, capaz de reforçar laços comuns. Ademais, a Unilab serve igualmente de "motor" para o desenvolvimento da região Nordeste.

Resgatar a dívida histórica que o Brasil tem para com a África está na origem do projeto dos idealizadores da Unilab e, de certa forma, é um chamamento para que as antigas potências coloniais façam o mesmo, em relação às antigas colônias, às quais tanto exploraram no passado. Uma cobrança que ganha ainda mais relevo nestes tempos de pandemia, quando a doença chega às áreas que concentram os mais altos níveis de pobreza e desigualdade social.

Em sua generosidade, o projeto da Unilab incorpora também Timor Leste, que fala Português e está situado na Ásia. Essa é a face que representa o Brasil genuíno, aquele voltado para valores como tolerância, solidariedade, cooperação, não-intervenção, autodeterminação e reciprocidade, hoje praticamente sepultados sob camadas de ódio de uma polarização político-ideológica insana.

É simbólico que a lei de criação da Unilab e a do Estatuto da Igualdade Racial tenham sido sancionadas no mesmo dia. Isso marca uma vocação e um compromisso. Recentemente, a instituição atingiu o posto de segunda melhor universidade do Ceará no Índice Geral de Cursos (IGC), do Ministério da Educação (MEC), e a 10ª posição dentre as universidades do Norte/Nordeste.

No Ceará, a universidade conta com 4 campi: Campus da Liberdade (Redenção), Fazenda Experimental Piroás (em Barra Nova, Redenção), Campus das Auroras (entre Redenção e Acarape) e Unidade Acadêmica dos Palmares (Acarape). E, na Bahia, fica o Campus dos Malês, na cidade de São Francisco do Conde. Seu ensino presencial, conta com 4.619 matriculados, em 24 cursos de graduação. Destes, 3.463 são estudantes brasileiros e 1.156 são estudantes internacionais. Uma história de sucesso que tem de ser reforçada cada vez mais, resgatando o melhor da alma nacional. 

 

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