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Mulheres: a permanência de lutas históricas

Em 1949, na introdução do primeiro volume do livro "Segundo Sexo", a filósofa Simone de Beauvoir falava da sua hesitação em escrever um livro sobre mulher e como o tema era irritante, principalmente para as mulheres. O assunto é velho e repetitivo, mas também absolutamente necessário: da Pré-História ao século XXI, permanecem os relatos de desigualdade e perversidade das relações entre gêneros.

No final do século XIX, pensava-se que a abertura das portas das fábricas para a mão de obra feminina seria também a sua libertação. Não foi o que aconteceu: a classe operária feminina permaneceu como o "segundo sexo", ganhando menos que os homens. O Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje, foi concebido como marco dessa luta em prol de justiça. As conquistas são indiscutíveis, mas há ainda uma longa jornada para melhorar as relações no trabalho, dentro das famílias e na sociedade em geral.

Em pleno século XXI, com mulheres comprovando no dia a dia suas habilidades e competências físicas e intelectuais para exercer diversos cargos e posições na sociedade, ainda é necessária a reafirmação das causas femininas, as quais englobam atualmente vários perfis de mulheres. O problema permanece concentrado no machismo estrutural, entranhado nos discursos mais sutis que vão da religião à ciência. Enquanto heroínas são aclamadas em séries e livros, cotidianamente há cobranças de ideais de beleza; questões sobre a objetificação do corpo feminino; e uma sobrecarga de trabalho e de responsabilidades sobre as mulheres, principalmente entre as mais pobres.

Sobre o assunto:

O isolamento social ampliou o trabalho doméstico e os cuidados com tarefas designadas culturalmente ao sexo feminino. As mulheres passaram a ter uma sobrecarga maior de tarefas quase insuportável.

Diante de tudo isso, conquistas também foram percebidas. Talvez a principal dela seja a consciência de que é preciso continuar nessa evolução. Conforme disse Simone de Beauvoir: "não somos apenas uma espécie animal, mas uma realidade histórica".

Em meio à violência da qual as mulheres são vítimas, também há uma trilha importante de lideranças femininas. Apesar da pandemia de Covid-19, mulheres brasileiras ocuparam mais cargos de chefia, representando 39% dos executivos no País, conforme a pesquisa Women in Business da Grant Thornton. Por tudo isso, nesta segunda-feira, publicamos matérias especiais sobre um novo pensamento feminino, apresentado através de perfis de mulheres, personagens que são referência e modelos para novas formas de agir e que contribuem para outra forma de percepção dos aspectos femininos.

 

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