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Editorial opinião

Educação: combate à evasão deve ser constante

É surpreendente o abandono da escola no Ceará. Conforme reportagem publicada no O POVO, 22.193 estudantes deixaram o ensino fundamental entre 2019 e maio de 2021. O dado é da plataforma de Busca Ativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e expõe um efeito direto da pandemia de covid-19. Para conter o avanço do novo coronavírus, as aulas presenciais foram suspensas, segundo orientação das autoridades sanitárias.

Em um jogo de equilíbrio complexo e polêmico, essa paralisação, fundamental para frear a Covid-19, deixou sequelas significativas na vida dos estudantes. Muitos não dispunham de equipamentos tecnológicos com boa conexão de internet para participar das aulas virtuais. Aos que conseguem acompanhar o ensino remoto, é necessário um esforço hercúleo de concentração para que as crianças fiquem atentas durante horas em frente a uma tela na aula.

Assim, o desinteresse pela escola ou pelos estudos é o motivo mais comum apresentado para justificar a evasão. O índice de abandono sempre preocupa os profissionais da educação, porque se sabe quão desafiador é promover a volta do aluno à escola.

As sequelas são extremamente negativas geradas pelo esvaziamento no processo de ensino e aprendizagem e na sociedade em geral. O despreparo profissional para o mercado de trabalho, as taxas baixas no rendimento escolar, o déficit de aprendizado, a quebra de vínculo com a vivência escolar e o aumento da desigualdade social são algumas delas.

É certo que a pandemia de Covid-19 contribuiu para elevar os números da evasão. No entanto, outros fatores precisam ser considerados para uma discussão mais ampla acerca da questão.

Mudanças de domicílio, viagem e crianças ou adolescentes em situação de rua são razões também apontadas para a saída da escola no Ceará, de acordo com o Unicef. Crianças e adolescentes em conflito com a lei, com doença ou deficiência física, mental, intelectual ou sensorial, além de dependência química, trabalho infantil e violência são outras causas preocupantes.

Desse modo, a gestão educacional precisa promover um trabalho integrado com a família para entender o problema e conscientizar quanto à volta às salas de aula. A qualidade do ensino é um dos desafios na educação. Incentivar a formação continuada dos profissionais e manter um projeto pedagógico forte, engajando o aluno, é necessário para que o estudante se dedique e desenvolva suas habilidades - inclusive socioemocionais.

Junto a isso, é indispensável a cobrança constante ao Estado quanto ao investimento nos recursos humanos e materiais no ambiente escolar. O aperfeiçoamento no ensino é consequência direta disso.

O Anuário Brasileiro da Educação Básica, divulgado nesta semana, expôs que, em 2020, no início da pandemia, os governos estaduais e municipais gastaram juntos R$ 20 bilhões a menos quando comparado com 2019. Apesar de todos os graves problemas enfrentados nesses tempos, o combate ao abandono e à evasão é uma tarefa contínua, a fim de promover a escola como, mais do que uma obrigação, um espaço atrativo, agregador de troca de experiências e valores.n

 

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