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Editorial opinião

Sem ações contra a crise e com desprezo ao pobre

É sabido que o aumento na conta de energia elétrica, reajustado constantemente nos últimos meses, tem impactado no orçamento familiar dos brasileiros. Somada às crises de todos os matizes vividas, a inflação tem influenciado na economia do País, que tem vivido momentos de instabilidade. Isso, por óbvio, causa consequência direta sobre o bolso do brasileiro, que já tem crise bastante para administrar.

A bandeira tarifária foi reajustada em junho, com mais de um ano de pandemia, enquanto o Brasil vive a pior crise energética dos últimos 91 anos. Paralelamente a isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, parece desconhecer a realidade do País ao menosprezar mais um aumento no valor da conta de luz. Não é pouca coisa. Assegurar que algo ficará "um pouco mais caro" no contexto atual do País é atestar que não se consegue vislumbrar os problemas reais do País. Quando o faz, porém, mostra-se incapaz de apontar soluções.

Horas depois, o ministro, em mais uma declaração catastrófica, afirmou que "não adianta ficar sentado chorando". Por certo, lamentar é algo quase improdutivo neste momento em que se prevê que a bandeira vermelha deva sofrer mais um reajuste nas próximas semanas.

Diante de toda a situação dramática em que muitos brasileiros vivem, o ministro de Bolsonaro, em conjunto com o governo do atual presidente, não apresentou até então qualquer planejamento para lidar com um possível quadro de enfrentamento de uma crise energética caso aconteça. Além disso, não parece demonstrar preocupação com os riscos de a conta ser simplesmente transferida para a população.

Com o desemprego em patamares alarmantes, gente com fome e miseráveis a cada esquina e uma conta de energia que amedronta principalmente os mais pobres, esperava-se mais planejamento, ações produtivas e sensibilidade de um gestor cuja função é administrar e solucionar a economia de um país continental, mesmo diante do caos.

Não se sabe, porém, se o combate à pobreza é necessariamente uma inquietação de Guedes. Afinal, um ministro que critica o aumento da expectativa de vida, que reclama que uma empregada doméstica pode ir à Disney, que se queixa porque o pobre não poupa e vai a Davos esbravejar que o pior inimigo do meio ambiente é a pobreza não explicita ter tanto traquejo assim com a administração dos recursos para os mais vulneráveis.

Com todo o despreparo técnico e a falta de habilidade para gerenciar os problemas por que o País passa, o ministro Paulo Guedes dá demonstrações constantes de que as crises que enfrentamos, a depender dele, estão longe de ser resolvidas - ou mesmo amainadas. n

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