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Editorial opinião

Editorial: A perda da memória cultural de uma cidade

É necessário reconhecer a necessidade e importância da educação patrimonial para Fortaleza

Levantamento feito pelo O POVO sobre a memória cultural e patrimonial de Fortaleza chama a atenção. Nos últimos 60 anos, a capital cearense perdeu, pelo menos, 15 imóveis considerados históricos dada sua relevância para a Cidade. A maioria deu lugar a prédios residenciais ou estacionamentos - necessários, mas que certamente poderiam ter sido construídos a partir de outras edificações cuja destruição não causasse prejuízo à memória fortalezense.

A questão passa inicialmente pela importância da educação patrimonial, que é desprezada em todas as instâncias, seja na escola, seja no cotidiano. Ver a Cidade se desfazendo, de maneira propositada, dos vestígios de sua história é admitir o descaso de governantes e moradores com o valor de preservar e conservar símbolos que são parte de Fortaleza.

É o caso do Casarão dos Gondim, demolido em julho, embora estivesse tombado provisoriamente pelo Município. Também foi o caso da residência do sanitarista Rodolfo Teófilo, que deu lugar a um restaurante e hoje abriga um prédio residencial.

Há certamente políticas públicas, em todas as esferas, a favor da preservação e da valorização do patrimônio material e cultural dos lugares. Todas são necessárias para o caminho da valorização dos bens que atravessam gerações e se tornam referências culturais em sua compreensão socio-histórica. No entanto, o diálogo permanente entre os agentes culturais e sociais, os governantes, os acadêmicos e demais pesquisadores e a sociedade em geral promoverá o reconhecimento e a eficácia da execução das políticas.

Investir na educação sobre o patrimônio cultural de um lugar é primordial para a construção da cidadania, de forma coletiva e democrática. O processo deve ser permanente, com o compartilhamento do conhecimento e a promoção de uma reflexão crítica sobre os sentimentos de identidade e pertencimento sobre o patrimônio.

A cada vez que assistimos à queda de mais uma edificação da nossa história, perdemos um pouco de nossa herança cultural - um prédio, uma paisagem natural, uma área de proteção ambiental, um sítio arqueológico ou mesmo uma manifestação popular histórica.

O acervo remanescente fica menor, e a identificação com as significações dadas aos objetos e locais se fragiliza. Se nada for feito em prol da implementação de ações educativas de apropriação, preservação e valorização do nosso patrimônio, continuaremos tão somente a lamentar o legado mais escasso para as gerações futuras e a conscientização menos crítica sobre a nossa história. 

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