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Editorial opinião

É preciso proteger as dunas do Sabiaguaba

O crescimento urbano tem pressionado áreas litorâneas, que ainda mantinham um certo nível de preservação, como é o caso das dunas do Sabiaguaba, alvo de projetos públicos e privados, que podem pôr em risco a proteção ao meio ambiente.

O Centro Gastronômico do Sabiaguaba é mais um equipamento nessa área de dunas que pode ser prejudicial ao ecossistema local. A empresa que ganhou a concorrência, a Construtora Porto, vai ocupar uma área de 2,5 hectares para construir 18 edificações padronizadas, que funcionarão como restaurantes e bares, sistema de esgoto, píer e estacionamento. As barracas simples, que margeavam o rio Cocó, já foram derrubadas para dar lugar à nova estrutura.

Se existe a vantagem de o empreendimento propiciar o ordenamento do local, como implementação da coleta de lixo e de um sistema adequado de esgoto, haverá grande impacto na duna principal do Parque Natural Municipal das Dunas da Sabiaguaba, devido ao grande número de visitantes que já recebe, e que vai aumentar com o início do funcionamento do Centro Gastronômico.

Como perguntou o jornalista Eliomar de Lima, em sua coluna de 14/9/2021, por que a Prefeitura e Governo do Estado não estudam medidas que evitem o previsível desmonte da duna?

Desde a implantação da rodovia CE 010, cortando um longo trecho das Dunas de Sabiaguaba — o único sistema de dunas fixas e imóveis de Fortaleza —, os alertas dos ambientalistas para o perigo da deterioração da área intensificaram-se. Um indicativo de que obras impactam o meio ambiente é o fato de, recorrentemente, a rodovia ficar coberta de areia. Existe, inclusive, uma ação movida pelo Ministério Público do Estado, pedindo ao Estado e ao município de Fortaleza, a reparação dos danos ambientais causados à Unidade de Conservação.

Outra polêmica aconteceu depois da aprovação, pelo Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental do Sabiaguaba, de uma "análise de orientação prévia", autorizando o início de estudos para a implantação de um projeto imobiliário que ocuparia 50 hectares da área.

Biólogos e entidades de proteção ao meio ambiente alertaram que o empreendimento implicaria desmatamento e ameaçaria espécies raras de animais e de plantas, que só ocorrem no local.

Com a mobilização, o então prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), garantiu que nenhum negócio privado, que levasse "consequências negativas" às dunas da Sabiaguaba ou do Parque do Cocó, teria autorização do município.

O fato é que se não houver um projeto integrado para a ocupação harmoniosa do litoral cearense, as medidas contingentes, ainda que revestidas de boas intenções, tendem a criar um caos que depois será impossível corrigir. Fica como sugestão ao governo do Estado e aos municípios, enquanto ainda há tempo. n

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